CPI do Cachoeira adia para quinta-feira a leitura do relatório final

Relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) recebeu críticas da oposição pelo indiciamento de jornalistas; parlamentares pedem prorrogação e nova convocação do bicheiro

iG São Paulo | - Atualizada às

Após mais de duas horas de discussão em uma sessão tumultuada, a CPI do Cachoeira adiou para quinta-feira às 10h15 a leitura do relatório final da comissão pelo relator, Odair Cunha (PT-MG). Diante da libertação do contraventor Carlos Augusto Ramos , o Carlinhos Cachoeira , parlamentares que integram a CPI cobram a prorrogação dos trabalhos, previstos para serem encerrados em dezembro. Alguns membros da comissão levantaram questões regimentais para alegar que o texto deveria ter sido entregue à comissão pelo menos 24 horas antes da reunião desta terça-feira. 

Relatório final: Relator da CPI do Cachoeira pede investigação sobre Gurgel

Agência Câmara
Parlamentares participam de sessão da CPI do Cachoeira


Representantes da oposição já afirmaram que pretendem apresentar um voto em separado. Além disso, um grupo formado pelos senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e os deputados Rubens Bueno (PPS-PR) e Ônix Lorenzoni (DEM-RS) já prepararam uma representação a ser encaminhada à Procuradoria Geral da República (PGR) para que o órgão dê prosseguimento às investigações da CPI. 

O deputado Silvio Costa (PTB-PE) se indispôs com o relatório logo no início da sessão. Segundo ele, a leitura deveria ser adiada por conta da soltura de Carlinhos Cachoeira da penitenciária da Papuda, em Brasília, nesta madrugada. "Um cara que passa nove meses na cadeia fica com medo de voltar para lá. Vamos agora convocar o Cachoeira para ver se ele fala na CPI. Esse relatório deixa muito a desejar. Temos que ouvir Cachoeira, antes de concluir os trabalhos", disse.

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Em seu relatório final, com mais de 5 mil páginas, Cunha pediu o indiciamento de 46 pessoas , dentre elas o governador de Goiás, Marconi Perillo, o ex-presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish; o deputado federal Carlos Leréia (PSDB-GO) e o prefeito de Palmas, Paulo Filho (PT). Cunha também pede o indiciamento do chefe da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e outros quatro jornalistas - a maioria de Goiás.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que vai pedir vista e que, entre suas objeções, uma das principais é contra o indiciamento de jornalistas. "Não dá para concordar com o indiciamento de cinco jornalistas. Não dá para acusá-los de crime de quadrilha. Se jornalista não investigar, vai fazer o que, só coluna social?", questionou o senador.

Relembre: Collor diz que Gurgel prevaricou ao 'engavetar inquérito' da Operação Vegas

O relator da CPI pediu também investigações sobre o procurador-geral da República Roberto Gurgel . Cunha alega que Gurgel suspendeu "sem justificativa" as investigações da Vegas, que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, entre eles o senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO). Durante os trabalhos da comissão, o procurador-geral da República informou à CPI que decidiu parar as investigações da Vegas para encontrar elementos mais fortes da atuação de Cachoeira.

Para Pedro Taques (PDT-MT), o relatório "é uma farsa" e a CPI "um cadáver insepulto", já que há uma série de suspeitas ainda não investigadas. Ele também insistiu em nova convocação de Cachoeira, agora que o contraventor saiu da cadeia. Já o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-RS), afirmou que o relatório é consistente e "não poupa nem peixes pequenos, nem grandes".

Randolfe Rodrigues: 'Soltura de Cachoeira é mau presságio sobre relatório da CPI'

A discussão que adiou a leitura do relatório da CPI aconteceu horas depois de o contraventor Carlinhos Cachoeira, que estava preso preventinamente há nove meses, ter sido solto pela Justiça. Ele foi condenado a cinco anos de prisão na terça-feira, mas, como a pena deve ser cumprida em regime semiaberto, a juía Ana Cláudia Costa Barreto, da 5ª Vara Criminal de Brasília, expediu um alvará de soltura.

Com Agência Senado

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