'Vou acatar a decisão, mas não me calarei', afirma Dirceu sobre condenação

Ex-ministro escreve post 'ao povo brasileiro' em seu blog na internet e diz que 'não se abaterá' com o resultado do julgamento do mensalão; confira a íntegra da nota

iG São Paulo | - Atualizada às

Condenado por corrupção ativa pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro José Dirceu publicou um post em seu blog na internet para comentar o resultado da votação desta terça-feira. No texto, Dirceu disse que não se "calará", mas acatará a decisão da Corte. "Continuarei a lutar até provar a minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater", afirmou Dirceu. 

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Veja o especial do iG sobre o julgamento do mensalão

Na tarde de hoje, a maioria do STF condenou Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, além de outros cinco réus pelo crime de corrupção ativa. O resultado marca a primeira condenação de Dirceu e será formalizado assim que todos os ministros concluírem seu voto, o que deve ocorrer nesta quarta-feira. Dirceu responde ainda pelo crime de formação de quadrilha, que será abordado somente mais adiante no julgamento.

Confira a íntegra da postagem de José Dirceu:

Ao povo brasileiro

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.

Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.

Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

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