Relembre os principais legados dos presidentes da era democrática

Depois da ditadura militar, os seis políticos que ocuparam o cargo deixaram diferentes heranças para as áreas social, política e econômica

iG São Paulo | - Atualizada às

Após o fim da ditadura militar (1964-1985), os seis políticos brasileiros que ocuparam a Presidência da República deixaram diferentes legados nas áreas política, social e econômica. Relembre abaixo os principais feitos dos governos Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma. E vote naquele que, na sua opinião, fez mais pelo Brasil, na enquete em tempo real lançada pelo iG .


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José Sarney

Primeiro presidente após o período militar, José Sarney governou de 1985 a 1990 e foi considerado decisivo no processo de redemocratização do País. O político maranhense assumiu o cargo de forma interina em março de 1985, em decorrência dos problemas de saúde de Tancredo Neves, eleito por voto indireto do Colégio Eleitoral, que tinha Sarney como vice. Com a morte de Tancredo, Sarney assumiria a presidência de forma definitiva.

Em seu governo, foram lançados os primeiros planos para tentar conter a inflação. O que mais se aproximou de ter sucesso foi o Plano Cruzado, de 1986, que em princípio conteve o aumento dos preços e elevou o poder aquisitivo da população. Mas o congelamento forçado logo fez a economia se deteriorar, causando uma grave crise de abastecimento e, por fim, a volta da inflação.

Outros planos, como o Bresser e o Verão, tiveram ainda menos êxito. No seu governo, a censura foi oficialmente abolida, e o Brasil fez a Assembléia Nacional Constituinte, que restaurou a democracia e sepultou toda a legislação autoritária do regime militar. Deu início às negociações que levaram à oficialização do Mercosul, o bloco econômico formado originalmente por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Sarney, entretanto, deixou o governo em meio a uma forte crise econômica. Atualmente, ele comanda o Senado Federal.

Fernando Collor de Mello

Primeiro presidente eleito pelo voto popular desde o fim da ditadura militar, Fernando Collor de Mello ficou conhecido como “caçador de marajás” durante a campanha de 1989, quando derrotou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno. Collor assumiu em 1990 e deixou como principal legado o início da abertura econômica do País. A redução dos impostos de importação causou uma verdadeira invasão de produtos importados, forçando a competitividade da produção nacional.

Também promoveu uma reforma administrativa, reduzindo o número de ministérios. Deu a largada num programa de privatizações que atingiria seu auge no governo FHC e livrou o País de várias leis cartoriais que impediam a livre concorrência em diversos setores da economia. Tentou ampliar o número de escolas primárias com aulas em tempo integral.

Mas Collor ficaria marcado pelo confisco da poupança do atrapalhado Plano Collor, além dos escândalos de corrupção que resultaram na abertura de um processo de impeachment no Congresso. Em 1992, sem sustentação política, ele renunciou ao mandato horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade. Em 1994, o ex-presidente foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por falta de provas.

Itamar Franco

Com a queda de Collor, assumiu o vice Itamar Franco, que exerceu o mandato-tampão em 1993 e 1994. Era um momento especialmente delicado para a vida política do País, ainda traumatizado pelo impedimento do primeiro presidente eleito pelo voto direto. Mineiro e conciliador, Itamar conseguiu conduzir os ânimos no plano político – e ainda criou as condições para o lançamento do Plano Real, que também levou a assinatura do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Deu sequência ao processo de abertura econômica com a oficialização do Mercosul e avanços no programa de privatizações. Ressuscitou o fusca, mas também reduziu alíquotas para que a indústria automobilística oferecesse os chamados carros populares. O Real estabilizou a economia, acabou com a hiperinflação e criou uma moeda confiável para a nação. O êxito catapultou a candidatura de FHC na eleição de 1994, com o apoio de Itamar.

Fernando Henrique Cardoso

Eleito em 1994 após vencer Lula ainda no primeiro turno, Fernando Henrique Cardoso ficaria no cargo por oito anos – no meio do mandato, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que instituiu, para os cargos executivos, o mandato de quatro anos com uma reeleição – e FHC soube tirar vantagem da emenda feita sob medida: foi o primeiro presidente da história brasileira a ser reeleito em um turno só. Mas o grande legado de FHC se concentraria no campo econômico.

Em 1994, ele teve papel fundamental na criação do plano que acabou com a hiperinflação. No ano seguinte, teria de domar a crise bancária gerada pelo fim da era inflacionária, no programa que ficou conhecido como Proer.

Em 1999, contornou mais uma ameaça à moeda, quando a mudança para o câmbio flutuante fez disparar a cotação do dólar, então tido como âncora do real. Para piorar, o período ficou marcado por crises financeiras sucessivas – no México, na Ásia, na Rússia – que também faziam a economia nacional balançar. Ainda que as manobras para segurar o real tenham sido alvo de críticas, no fim elas garantiram a estabilidade da moeda, quando ela foi testada de forma mais decisiva.

Na área social, FHC introduziu os primeiros programas de distribuição de renda, depois ampliados pelos sucessores. Mas enfrentou dificuldades com a crise no setor energético no segundo mandato, que gerou um racionamento de energia no País, o chamado “apagão”. Além disso, a política de aperto fiscal necessária para garantir a estabilidade impediu um crescimento mais acelerado da riqueza nacional, minando a popularidade de FHC. Após oito anos no poder, ele não conseguiu eleger seu candidato à sucessão, José Serra (PSDB), em 2002.

Luiz Inácio Lula da Silva

Luiz Inácio Lula da Silva governou o Brasil também por dois mandatos, entre 2003 e 2010, tendo vencido o tucano José Serra no 2º turno da eleição de 2002 e Geraldo Alckmin, também do PSDB, na rodada final do pleito de 2006. Em seu período na Presidência, Lula manteve as bases macroeconômicas dos governos FHC, mas ampliou fortemente os programas sociais e de transferência de renda, como o Bolsa Família.

O resultado, além da diminuição da pobreza, foi a ascensão social da chamada “classe C”, cujo ingresso no consumo foi o motor – junto com o alto preço das commodities – do crescimento acelerado na economia doméstica. Lula será lembrado ainda por dois fatos que, em última instância, também têm consequências econômicas: a descoberta da camada pré-sal de petróleo e a vitória da candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016.

Ainda no primeiro mandato, seu governo ficou marcado pelo escândalo do mensalão, que agora começou a ser julgado no Supremo Tribunal Federal. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, houve compra de apoio político para a aprovação de projetos do interesse do governo no Congresso. O Ministério Público denunciou 36 pessoas pelo mensalão – Lula não foi incluído na ação penal.

Dilma Rousseff

Eleita em 2010, após derrotar José Serra no 2º turno, Dilma Rousseff , então ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, é a primeira mulher a assumir a Presidência da República. No primeiro ano de mandato, demitiu ministros envolvidos em denúncias de corrupção. Apesar de rechaçar a fama de “faxineira ética”, viu sua popularidade aumentar após as quedas dos políticos.

No campo econômico, a grande conquista tem sido a queda dos juros, uma herança indesejada da época do Plano Real. Atualmente, a taxa básica de juros (a Selic) se encontra na mínima histórica, de 8%. O movimento forçou os bancos a reduzirem margens historicamente altas, que são prejudiciais para a economia real. Além disso, a presidenta tem lançado pacotes de estímulo, para evitar que as finanças domésticas sejam contaminadas pela persistente crise internacional. As ações envolveram reduções tributárias e investimentos públicos diretos.

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