Três funcionários da campanha do petista na internet pediram demissão em solidariedade ao funcionário demitido após inserção de imagem no site oficial; dois voltaram atrás

Um erro aparentemente pequeno, corriqueiro, acabou se transformando em uma bola de neve na campanha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo,  Fernando Haddad . Três funcionários da campanha na internet pediram demissão em solidariedade ao funcionário demitido por ter publicado um vídeo do MC Mamuti no qual José Serra (PSDB) é comparado ao líder nazista Adolf Hitler. Dois voltaram atrás.

A coordenação de internet da campanha, que inclui o site e mídias sociais, sob responsabilidade de João Santana, é um dos pilares do conceito de “novo” concebido pelo publicitário baiano.

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A área de internet da campanha ficou momentaneamente acéfala. O coordenador e seu assistente imediato deixaram suas funções. Outros dois assistentes manifestaram o desejo de deixar o trabalho, mas acabaram ficando. A decisão de demitir o responsável pela área de internet foi do próprio João Santana. A alegação é que o coordenador quebrou o protocolo que exige a assinatura de pelo menos três pessoas para a veiculação de vídeos.

Funcionários consideraram a demissão exagerada já que um dirigente petista chamou os tucanos de fascistas quando integrantes da Juventude do PSDB se fizeram passar por estudantes para tumultuar um evento de Haddad. Mas o que provocou a reação foi a declaração do próprio candidato, no dia seguinte, concordando com a demissão.

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A turbulência gerada pelo vídeo caseiro de MC Mamuti se transformou em vetor para reclamações veladas a respeito dos rumos da campanha. A principal delas é sobre a ausência de Santana. Enquanto seus funcionários iniciavam um motim em São Paulo, o publicitário estava em Caracas, na Venezuela, cuidando da campanha do presidente Hugo Chávez à reeleição.

Apesar do descontentamento de alguns petistas com as ausências físicas de João Santana em São Paulo, Haddad tem demonstrado grande satisfação com o trabalho do publicitário. Nesta semana, o candidato e Lula assistiram juntos às primeiras peças de campanha feitas por Santana. Haddad teria ficado impressionado com a qualidade técnica e com a precisão política das mensagens que passam a sensação de uma campanha otimista e alto astral. Para Haddad, o episódio do vídeo foi completamente superado e as insatisfações fazem parte da dinâmica naturalmente tumultuada do PT.

A coordenação da campanha de Haddad nega o mal-estar. “Imagine se o João Santana, mesmo que estivesse aqui, teria alguma responsabilidade com a publicação de um vídeo de rap no site da campanha. Não tem problema nenhum. Quando fechamos com João Santana já sabíamos dos compromissos dele”, disse o vereador José Américo, coordenador de comunicação da campanha de Haddad.

Em conversas reservadas, no entanto, lideranças petistas não escondem o mal estar. “Qual é a prioridade? São Paulo ou o Chávez? Ele (Santana) tinha que estar presente para controlar sua equipe e evitar que um probleminha se transformasse numa bola de neve”, disse um dirigente nacional do PT.

Questionado nesta sexta-feira se existe uma crise em sua campanha por conta do vídeo, Haddad respondeu: “não, nenhuma”.

O episódio, no entanto, é apenas a ponta de um iceberg. O PT está preocupado com o fraco desempenho de Haddad nas pesquisas ( 6%, segundo o Ibope ) e setores do partido começam a apontar culpados.

A ausência da presidenta Dilma Rousseff, a teimosia da senadora Marta Suplicy, a falta de traquejo do próprio candidato, a imprensa que não dá o devido espaço às eleições e até a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atropelou o processo interno do PT, impôs Haddad e não estaria se dedicando ao suficiente na campanha.

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O resultado de uma reunião entre a direção do PT e emissários de Lula para definir a participação do ex-presidente na campanha municipal pode ser mais uma má notícia para Haddad. São Paulo deixou de ter o status de prioridade absoluta e vai ter que dividir as atenções de Lula com outras cidades. Existe a possibilidade de que a participação eleitoral do ex-presidente comece por Recife ou Belo Horizonte e não por São Paulo.

“Não tem quase nada decidido. Queremos Lula em todas capitais em que temos candidato. Além disso ele já disse que vai ao Rio de Janeiro (onde o candidato é Eduardo Paes, do PMDB) e Campinas. Está difícil montar esta agenda. Tem que levar em consideração o momento de cada candidato nas pesquisas, se tem adversário de partido aliado, a questão geográfica. Até porque tem que ser certeiro porque o Lula for não vai mais poder voltar”, disse o secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi.

Pesquisa Ibope para a Prefeitura de São Paulo

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