Advogado nega participação de ex-diretor do Banco Rural em empréstimos a Valério

Campos Júnior segue tese de Thomaz Bastos ao negar que concessões eram fictícias e ao atacar a acusação por suas ‘características inusitadas’

iG São Paulo | - Atualizada às

O advogado Maurício de Oliveira Campos Júnior, defensor do ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane, negou durante julgamento do mensalão a participação de seu cliente na concessão e renovação de empréstimos às empresas de Marcos Valério e ao PT. Assim como o advogado Marcio Thomaz Bastos , que representa o ex-vice-presidente da instituição e foi o primeiro a falar, Campos Júnior negou que os empréstimos ao publicitário Marcos Valério fossem fictícios.

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Divulgação STF
O advogado Maurício de Oliveira Campos Júnior, defensor do ex-diretor do Banco Rural Vinícius Samarane, seguiu a tese de Thomaz Bastos

Samarane é hoje vice-presidente do banco. No processo do mensalão, ele responde pelos crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisão. O advogado diz que a acusação contra seu cliente tem “características um tanto inusitadas” e trata a “rotina bancária como crime”. "Vinícius Samarane, um bancário de carreira, alcançou a posição de diretor do Banco Rural em abril de 2004. Não participou, portanto, de quaisquer atribuições da alta cúpula do Banco Rural", afirma, acrescentando que seu cliente era um "subalterno" à época dos empréstimos.

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De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, Samarane faz parte do chamado núcleo financeiro, que também era integrado por José Augusto Dumont (que morreu em acidente de carro, em 2004), Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Ayanna Tenório, principais dirigentes do Banco Rural à época da denúncia do mensalão. Segundo o advogado, todos injustamente denunciados. "Todos recém-chegados, em abril de 2004, são arrastados pela conveniência do processo."

De acordo com o advogado, as concessões dos empréstimos foram aprovadas por José Augusto Dumont, vice-presidente do banco em 2003, e as renovações subsequentes foram aprovadas por outros diretores do banco.

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Campos Júnior contou a história familiar do Banco Rural e fez elogios a Kátia. "Kátia (Rabello) é uma pessoa dócil, é uma pessoa sensível. Era uma artista, uma bailarina. Diretora de marketing do Banco Rural, à época que sua irmã, Júnia Rabello, era presidenta do Banco Rural", diz Campos Júnior, que passa a explicar a estrutura da instituição antes da morte de Júnia Rabello, em um acidente, em1999, e, em seguida, com Kátia no comando.

Campos Júnior também contestou a acusação de que a lavagem de dinheiro consistia na promoção de saques da conta da agência de publicidade SMP&B, em agências do Banco Rural, por funcionários da empresa ou terceiros, com omissão do nome do real beneficiário. De acordo com o advogado, a rotina de saques questionada pela denúncia remonta a 2003, antes, portanto, da ascensão de Samarane ao cargo de diretor, o que ocorreu em 2004.

Ayanna Tenório

A defesa da ex-diretora do Banco Rural Ayanna Tenório destacou em sua exposição no STF que ela não atuava na área financeira do banco. O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira disse que ela só entrou no banco em abril de 2004, após a concessão dos empréstimos que alimentaram o esquema do mensalão, e que a formação dela era na área de recursos humanos. Para ele, Ayanna foi incluída na denúncia apenas pelo cargo que ocupou. "Ayanna está sendo responsabilizada pelo organograma. É responsabilidade de papel, não de conduta. Rigorosamente não há nada mais do que isso", afirmou.

Mariz destacou que a única reunião de renovação de empréstimos de que ela participou foi dois meses após a sua entrada no Rural e que ela teria apenas acompanhado os colegas. Destacou ainda que o próprio Ministério Público reduziu de 65 para três as acusações de lavagem de dinheiro. Ele destacou que essas três ações são saques em espécie, dos quais ela não tinha conhecimento. Enfatizou que não haveria nos autos nenhuma acusação direta de conduta delituosa de Ayanna. Classificou a acusação de "kafkaniana", em referência à obra de Franz Kafka na qual uma pessoa é condenada sem saber a acusação.

O advogado concluiu pedindo a absolvição para minimizar o sofrimento de sua cliente. "Encerro pedindo que absolvam Ayanna Tenório. Acho que o sofrimento é indelével. A pena da execração pública é perpetua e cruel, mas a absolvição minimizará seu sofrimento e dará a ela condições de voltar ao mercado de trabalho, visto que ela hoje conta com sua consultoria sobrevivendo quase que à míngua".

Com Agência Brasil e Agência Estado

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