Defesa de Dirceu acusa Jefferson de inventar mensalão para fugir de denúncia

Nas alegações finais, ex-ministro alega que presidente do PTB queria desviar foco da crise dos Correios e afirma que petistas não sabiam dos empréstimos de Marcos Valério

Wilson Lima - iG Brasília |

A defesa do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu argumenta, em suas alegações finais do julgamento do mensalão, que começa na próxima quinta-feira (2), que o esquema de compra de apoio político foi uma invenção do ex-deputado federal Roberto Jefferson para abafar a crise envolvendo o PTB, partido do qual ainda é presidente, após o então chefe do Departamento de Compras e Contratações (Decam), dos Correios, Maurício Marinho, ter sido flagrado recendo propina de R$ 3 mil.

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Investigações de uma CPI e do Ministério Público Federal (MPF) em 2005 apontaram que membros indicados pelo PTB, cujo líder era o ex-deputado federal Roberto Jefferson, cobravam propina para abastecer os cofres do PTB. Levantamento da Controladoria Geral da União (CGU) estima que o grupo ligado a Roberto Jefferson conseguiu aproximadamente R$ 5 milhões com o esquema.

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Nos memoriais encaminhados ao ministro relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, os advogados de Dirceu classificam como “fantasia” o escândalo do mensalão. “Vinculado ao investigado Maurício Marinho, por força de inúmeras ligações telefônicas e acuado por estar no foco de uma acusação que tomava proporções nacionais, Jefferson cunhou o termo ‘mensalão’ e passou a acusar o governo na pessoa de José Dirceu".

AE
Ex-ministro José Dirceu nega a existência do mensalão e ataca o delator Roberto Jefferson

Dirceu também conta com depoimentos de deputados federais que ratificam a tese da defesa do ex-ministro-chefe da Casa Civil. “Esse chamado mensalão foi uma invenção do presidente do PTB da época aí para tentar... Primeiro, tentou resguardar os seus companheiros; depois, como viu que o governo não aceitava o tipo de chantagem que ele propunha, aí inventou essa palavra ‘mensalão’, que é a coisa mais difícil do mundo. Teria que ter uns dois ou três carros-fortes dentro do Congresso Nacional todo o mês para distribuir recurso para determinados parlamentares. Isso aí é um sonho”, disse o então deputado federal José Santana, na fase de instrução processual.

O iG apurou durante essa semana que, em 2005, o ex-deputado Roberto Jefferson chegou a procurar dirigentes do PT para discutir um apoio ao PTB após as denúncias de corrupção dos Correios. Jefferson citou inclusive um suposto esquema de compra de apoio político, que foi denunciado em reportagem da Folha de S.Paulo, em setembro de 2005. Mas os petistas negaram apoio a Jefferson naquele momento.

Empréstimos

Uma outra linha de defesa do ex-ministro chefe da Casa Civil é demonstrar que não sabia dos empréstimos tomados pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares junto às empresas de publicidade de Marcos Valério.

No entanto, para comprovar isso, Dirceu mostra que nenhum dirigente da Executiva do PT tinha conhecimento das operações comandadas por Soares. Alguns deles afirmaram em depoimento que souberam das operações de empréstimos do PT junto às empresas de publicidade de Valério pela imprensa.

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A hoje ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi uma das testemunhas utilizadas por Dirceu para comprovar que membros da Executiva não sabiam das relações entre Delúbio e Valério. O ministro das comunicação Paulo Bernardo, também enveredou por esse mesmo raciocínio. “Depois que os fatos vieram a público, quando, após as denúncias feitas pelo deputado Roberto Jefferson e o desenrolar dos fatos, nós ficamos sabendo disso (dos empréstimos tomados pelo PT). Eu não sabia antes”, disse em depoimento prestado ao Ministério Público Federal.

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