PT encolhe no mapa eleitoral e vira alvo de aliados nas capitais

Entre os maiores rivais está o PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos; este ano, os socialistas dobraram o número de candidatos nas capitais

Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

O mapa da disputa eleitoral nas capitais às vésperas do término do prazo legal de inscrição das candidaturas na Justiça Eleitoral mostra que o PT encolheu e virou alvo dos partidos aliados, principalmente o PSB, nas principais cidades do País. O partido da presidenta Dilma Rousseff teve candidatos em 19 capitais em 2008 e terá no máximo 17 este ano. Nas últimas eleições municipais, o PT disputou contra partidos aliados em 11 cidades. Em 2012, o número cresceu para 18.

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Enquanto isso, o PSB dobrou o número de candidatos de sete em 2008 para 14 em 2012. Os socialistas, aliados históricos do PT há três décadas, são hoje os maiores rivais dos petistas entre os partidos que integram a base do governo Dilma. Em 2008 o PT foi adversário do PSB em apenas 3 capitais, disputou com o PC do B em 6 e com o PMDB em 8.

Nas próximas eleições PT e PSB terão disputas diretas em 12 capitais. O PMDB será o adversário em 11 e o PCdoB em 5.

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O motivo, segundo dirigentes petistas, é a estratégia ambiciosa dos socialistas para a eleição presidencial de 2014. Para alguns petistas o governador de Pernambuco, Eduardo Campos , presidente nacional do PSB, está usando as eleições municipais para ganhar musculatura e enfrentar Dilma em 2014 ou, no mínimo, desbancar o PMDB do posto de aliado preferencial do PT e ganhar a Vice-Presidência.

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“O PSB está querendo se fortalecer. O objetivo é 2014, mas eles querem ganhar força já para o ano que vem, formar um bloco com o PSD e crescer no Congresso”, avalia o secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi. “Acredito que o plano ‘A’ do Eduardo é ser vice da Dilma. Por isso, ele quer se fortalecer nestas eleições e não pode dar muita bola para o PT. Mas é claro que, se ele tiver condições até lá, pode se colocar como uma segunda força no nosso campo e ir para a disputa. Isso é natural, é da política”, completou.

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Em artigo publicado em seu blog o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu também aponta um movimento do PSB com vistas a 2014. Segundo Dirceu, os aliados elegeram o Nordeste como ponta de lança para evitar o crescimento eleitoral do PT e o jogo foi armado de olho na disputa presidencial de 2014. Isso explicaria o fato de o PSB ter rompido acordos e lançado candidatos próprios no Recife e em Fortaleza, as duas maiores capitais governadas pelo PT.

O mapa eleitoral reforça a tese de Dirceu. PT e PSB estarão em lados opostos em oito das nove capitais nordestinas. Em cinco delas, haverá disputa direta entre os dois partidos.

Disputas internas

Clayton de Souza/AE
Preterida na disputa, Marta Suplicy não vai participar da campanha de Haddad em São Paulo

Além dos embates contra aliados, a configuração do quadro eleitoral para 2012 deixou um saldo de crises internas no PT. Até este ano, a única grande cidade onde o PT enfrentava divisão interna profunda era Belo Horizonte.

Na capital mineira, as discordâncias sobre a aliança com o PSDB em torno da candidatura do atual prefeito Márcio Lacerda (PSB) deflagraram o confronto entre os grupos ligados ao ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, e ao ex-ministro do Combate à Fome Patrus Ananias. Este ano, o pivô da discórdia foi o vice-prefeito, Roberto Carvalho, que pleiteava a chance de disputar a eleição contra Lacerda e acabou derrotado.

Em São Paulo, a forma como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva impôs a candidatura de Fernando Haddad provocou o afastamento de um dos principais quadros do PT, a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy . Magoada com Lula, Marta se recusa a fazer campanha por Haddad , adota postura crítica em relação à política de alianças e é alvo de comentários de que estaria de saída do partido rumo ao PMDB.

Mas a pior situação está no Recife, cidade governada pelo PT há 12 anos onde o partido entra na disputa eleitoral fragmentado em pelo menos três grupos. O primeiro é o do atual prefeito, João da Costa, vencedor das prévias, mas proibido de disputar a reeleição por não integrar o grupo próximo a Eduardo Campos e Lula. Alijado da disputa, o prefeito tem promovido manifestações de rua contra o senador Humberto Costa, candidato escolhido pela direção nacional do partido a pedido de Lula.

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Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Humberto Costa contou com apoio de Lula para candidatura no Recife

O segundo grupo é o do secretário estadual de governo Maurício Rands, derrotado pelo prefeito nas prévias. Depois da derrota, ele se refugiou nos EUA e tem se recusado a participar da campanha de Humberto Costa, que o apoiou nas prévias. Rands tem dito a petistas que está magoado, pois teria sido usado como boi de piranha por Lula que, desde o começo, defendia o nome do senador. Petistas enxergam as digitais do governador, a quem Rands é ligado, no afastamento. Costa espera uma reaproximação. “Se alguém fez algo ao Maurício, ele tem todo o direito de ficar chateado. Mas comigo, não. Eu o apoiei desde o primeiro momento”, disse o senador.

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O terceiro grupo é o do próprio Humberto Costa, que ficou sem apoio das máquinas estadual e municipal e tenta viabilizar sua candidatura apoiado em pesquisas que lhe dão até 35% de intenções de voto e no apoio de Lula e Dilma.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão, todas as possíveis divergências internas decorrentes da disputa eleitoral poderão ser dirimidas em um congresso nacional do PT previsto para o ano que vem.

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“O PT nunca foi um partido de unanimidades. Mas tomada uma decisão a unidade de ação é inquestionavelmente mais forte do que em outros partidos. No ano que vem, teremos a preparação do PED (processo de eleições diretas) e, esperamos, de um novo congresso partidário. Será o momento de refletir sobre um novo ciclo do País e do PT. Em breve, estaremos a 12 anos no governo e precisamos organizar o próximo período. Hoje temos grandes lideranças populares e nem todas elas têm vínculos partidários na mesma direção. Mas divergências partidárias se resolvem no plano da política”, disse Falcão.

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