Com CPI desfalcada, relator mira campanha eleitoral de Perillo

Ex-chefe de gabinete de governador tucano usou direito de ficar em silêncio, enquanto ex-tesoureiro da campanha não compareceu à comissão por razões de saúde

Fred Raposo - iG Brasília | - Atualizada às

Agência Câmara
Relator da CPI, deputado Odair Cunha acusou tucano de se aliar a esquema de Cachoeira

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira , deputado Odair Cunha (PT-MG) deve manter, esta quarta-feira, fogo cerrado sobre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O foco será a suspeita de que o tucano tenha usado recursos do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, para pagar contas de sua campanha eleitoral em 2010 .

“A questão será verificar como a organização criminosa de Cachoeira se apropriou de financiamento ilegal de campanha para ocupar lugar de destaque em Goiás”, afirma Cunha ao iG . O relator espera se fiar no depoimento do radialista Luiz Carlos Bordoni, que prestou serviços de publicidade a Perillo no último pleito.

Assista ao vídeo: Relator da CPI antecipa opinião sobre ligação de Perillo com Cachoeira

Bordoni sustenta ter recebido o pagamento pelo trabalho da empresa fantasma Alberto & Pantoja, ligada ao esquema de Cachoeira. Segundo ele, a empresa depositou R$ 45 mil na conta de sua filha, Bruna Bordoni, em abril de 2011. “A expectativa é que Bordoni diga o porquê de sua filha ter recebido dinheiro da organização de Cachoeira”, destaca o relator.

Na sessão de ontem, Cunha acusou Perillo, em meio à discussão com deputado da oposição , de ter se associado à rede criminosa do contraventor. “Quem deveria combater a contravenção em Goiás se associou a ela”, acusou o petista. “Sentou nessa cadeira aqui e o chamou de empresário”.

Antes de Bordoni, compareceu à CPI a ex-chefe de gabinete do governador tucano Eliane Gonçalves Pinheiro, mas por usar seu direito de ficar calada - concedido pelo ministro do STF Celso de Mello - foi dispensada da sessão.

A ex-chefe de gabinete do governador pediu demissão, no início de abril, após interceptações telefônicas da Polícia Federal revelarem que ela trocou mensagens e telefonemas com Cachoeira. A investigação também aponta que ela foi presenteada com um aparelho celular criptografado para falar com o bicheiro.

Outro depoente previsto era o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, ex-tesoureiro de campanha de Perillo, que voltou a apresentar atestado médico pedindo dispensa do depoimento, alegando ter sofrido recentemente um aneurisma cerebral . O suposto problema de saúde de Rincón, voltou a ser questionado pela deputada Íris de Araújo (PMDB-GO).

Devido às suspeitas, o presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB-PB), solicitou à secretaria que questionasse o médico que assinou o atestado médico. Segundo ele, o neurocirurgião garantiu que a situação de saúde do paciente é delicada. Vital do Rêgo, então, decidiu convocar Rincón para uma perícia médica no Senado, para sanar quaisquer questionamentos.


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