Dois dos três convocados a falar nesta terça-feira sobre venda da casa do governador de Goiás ganharam do STF o direito de ficarem calados

Após uma semana sem trabalhos , devido à participação de parlamentares nas festas juninas do Nordeste e na Rio+20 , a CPI do Cachoeira ouvirá nessa semana o depoimento de nove pessoas ligadas aos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Nesta terça-feira, dois dos três depoentes conseguiram no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de ficarem calados.

Na reunião da CPI, Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor de Perillo, se recusou a falar aos parlamentares e foi dispensado da sessão. Parlamentares criticaram a apresentação do habeas corpus alegando que o dispositivo é desnecessário. Eles ressaltaram que a CPI tem respeitado o direito constitucional das testemunhas de permanecer em silêncio.

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Fiúza deveria ter explicado o episódio da venda da casa onde o bicheiro Carlos Augusto Ramos foi preso em fevereiro deste ano . O imóvel, num condomínio de luxo em Goiânia, pertenceu ao governador goiano. De acordo com informações prestadas anteriormente à CPI, Fiúza teria presenciado o pagamento referente à venda da casa do governador de Goiás .

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O comprador, segundo as investigações da Polícia Federal, seria Cachoeira, preso desde fevereiro deste ano sob suspeita de comandar uma rede criminosa que inclui jogos ilegais e a participação de políticos e empresários.

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Para comprar a casa, Cachoeira e Perillo, segundo as investigações, utilizaram formas de encobrir o negócio, usando intermediários, como o ex-vereador Wladimir Garcêz e o empresário Walter Paulo Santiago .

Assim como Fiúza, Écio Antônio Ribeiro, um dos sócios da empresa Mestra Administração e Participações, também se recusou a falar. Ele é apontado pela Polícia Federal como laranja no registro de venda da casa de Perillo em um cartório em Trindade (GO).

Em decisão liminar, o ministro Cezar Peluso, do STF, assegurou ao sócio da Mestra o direito de permanecer em silêncio. "Eu me reservo no direito constitucional de permanecer em silêncio", afirmou ele, sendo dispensado em menos de um minuto da sala, pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Em seguida, a CPI ouviu o depoimento de Alexandre Milhomen, arquiteto que trabalhou na reforma da casa e que teria recebido de Cachoeira e de sua mulher o pagamento de R$ 30 mil pelo serviço. Segundo ele, Andressa Mendonça gastou R$ 500 mil para decorar o imóvel.

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Outros depoimentos

Na quarta-feira, estão agendados os depoimentos de Jayme Eduardo Rincón, ex-tesoureiro da campanha de Perillo, e de Eliane Gonçalves Pinheiro , ex-chefe de gabinete do governador. Rincón é suspeito de ter recebido R$ 600 mil do grupo de Cachoeira.

Eliane é acusada de repassar informações sobre operações policiais aos investigados pelas operações Monte Carlo e Vegas. Ela foi flagrada em conversas interceptadas pela Polícia Federal e seria uma das integrantes do grupo que recebeu do contraventor telefones celulares habulitados em Miami, nos EUA. Na primeira vez em que foi convocada, Eliane não compareceu e alegou problemas de saúde.

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Também na quarta está marcado o depoimento de Luiz Carlos Bordoni. Radialista, ele disse, em uma entrevista, que recebeu dinheiro da empresa Alberto & Pantoja Construções , investigada como parte do esquema de Cachoeira. O dinheiro, de acordo com o radialista, referia-se ao pagamento de serviços prestados durante a campanha de Perillo ao governo de Goiás em 2010.

Bordoni também detalhou que parte do pagamento - R$ 45 mil - foi depositada na na conta de sua filha, Bruna Bordoni, que já trabalhou no gabinete do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A outra parte, de acordo com o radialista, foi paga pelo próprio Perillo. O governador negou, no entanto, ter feito esse pagamento.

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Na quinta-feira (28), estão marcados depoimentos de pessoas ligadas a Agnelo, entre elas Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal. A expectativa é que ele compareça mas que não fale, já que conseguiu no STF habeas corpus garantindo o direito de ficar em silêncio . Monteiro é citado nas gravações feitas pela PF e suspeito de ligação com o grupo de Cachoeira.

Além de Monteiro, devem falar à CPI na próxima quinta-feira o ex-assessor da Casa Militar do DF Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcelão, e o ex-subsecretário de Esportes do Distrito Federal, João Carlos Feitoza, conhecido como Zunga, suspeito de receber dinheiro do grupo de Cachoeira.

Com Agências Senado e Brasil

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