Diretório Municipal do partido aprovou a coligação proporcional com PSD, DEM e PR; como compensação a tucanos descontentes, chapa majoritária pode ser 'puro-sangue'

O Diretório Municipal do PSDB aprovou, na noite da última quinta-feira (21), a proposta do chamado “chapão” de candidatos a vereador, com a coligação proporcional entre os partidos que apoiam a pré-candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo. A aliança envolverá, além dos tucanos, o PSD do prefeito Gilberto Kassab , o DEM e o PR. O PV, que também faz parte da coligação majoritária, em princípio não estará no “chapão”, já que inicialmente não havia demonstrado interesse na aliança, mas essa posição ainda pode mudar até o dia 30, prazo final para a oficialização das coligações.

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Após essa decisão, segundo o coordenador da pré-campanha do tucano, Edson Aparecido, cresceu dentro do partido a tese de que o vice na chapa deve ser um tucano. “Só devemos ter uma definição a respeito dessa questão da vice depois que passar a convenção. Cresceu bastante no partido a tese de uma chapa pura. Mas temos que esperar”, afirmou Aparecido ao iG .

A coligação proporcional foi autorizada na reunião do diretório por 41 votos a 27 e deverá ser oficializada no próximo domingo (24), na convenção que irá confirmar a candidatura de Serra. Além disso, a definição da vice foi delegada à Executiva Municipal – o que aumenta, em tese, as chances do PSDB de indicar o nome.

Tucanos da Executiva Nacional e do Diretório Municipal resistiam à ideia de fechar a coligação proporcional especialmente com o PSD, temerosos de que a força da máquina municipal beneficiasse os kassabistas. Atualmente, o PSD possui a segunda maior bancada da Câmara, com 10 vereadores (só atrás do PT, que tem 11). O PSDB, que tinha 13 antes da criação do PSD, hoje conta com 7 vereadores. O DEM não tem nenhum. O receio é de que a legenda de Kassab se transforme em uma "superbancada" em São Paulo.

Convenção do próximo domingo oficializará candidatura de José Serra (PSDB) e coligação proporcional com aliados, o chamado 'chapão'
AE
Convenção do próximo domingo oficializará candidatura de José Serra (PSDB) e coligação proporcional com aliados, o chamado 'chapão'

Os nomes mais cotados para compor com Serra uma eventual chapa 100% tucana são os do ex-secretário estadual de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, mais ligado ao grupo serrista, e do próprio Aparecido, que teria a chancela do governador Geraldo Alckmin . Entretanto, o coordenador da pré-campanha do PSDB desconversa sobre o assunto.

“Isso não é questão de vontade pessoal. Você tem que levar em conta as circunstâncias e uma série de fatores e a preocupação maior deve ser sempre construir uma aliança ampla e forte”, diz. “Mas, realmente, tem uma vontade grande do PSDB (de indicar o vice).”

Além da possibilidade da chapa puro-sangue, são candidatos a uma eventual indicação por outros partidos o ex-secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider (PSD), caso a vaga fique com a legenda de Kassab, ou do secretário estadual do Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia (DEM) , se couber ao ex-PFL essa indicação. Corre por fora, pelo PV, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge

A Câmara Municipal de São Paulo tem 55 vagas de vereadores. O cálculo da quantidade dos votos necessários para se eleger varia de acordo com o chamado quociente eleitoral do município, que é obtido por meio da divisão do total de votos válidos (menos os brancos e nulos) – sejam eles nominais ou de legenda – pelo número de vagas da Câmara.

Já a divisão entre as cadeiras disponíveis e os partidos é feita pelo quociente partidário – número resultante da divisão do número de votos válidos sob a mesma legenda ou coligação pelo quociente eleitoral. Nesse caso, a coligação funciona como um único partido: quem tiver mais votos dentro da coligação, está eleito, independentemente da legenda a que pertença. Aí reside a grande preocupação de parte do PSDB.

Serra, ao lado de Kassab: se PSD tiver sucesso em julgamento sobre o Fundo Partidário e o tempo de TV, ganhará força para indicar o vice
Adriana Spaca/Brazil Photo/AE
Serra, ao lado de Kassab: se PSD tiver sucesso em julgamento sobre o Fundo Partidário e o tempo de TV, ganhará força para indicar o vice

Tempo de TV

Atualmente, o DEM daria a Serra 1 minuto e 41 segundos a cada programa exibido pela TV e veiculado no rádio. Mas o nome de Schneider ganhará força em caso de vitória do PSD em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que definirá se o partido tem direito ou não a uma cota maior do Fundo Partidário. O julgamento é determinante para as pretensões do partido de Kassab, pois o entendimento respeito das cotas do Fundo Partidário cria uma jurisprudência para a definição do tempo a que o PSD terá direito na propaganda eleitoral gratuita na televisão.

Se o STF permitir que a bancada do PSD detenha o tempo de TV, a questão ainda teria de ser avaliada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que dará a palavra final. Esse trâmite atrasaria ainda mais a definição do vice. Adiado, o julgamento deverá acontecer na próxima quarta-feira, três dias depois da convenção municipal do PSDB.

Segundo Aparecido, a convenção de domingo deve definir também o número de vagas de cada um dos partidos na coligação proporcional. Ao todo, são 110 vagas disponíveis.

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