Dilma quer que Comissão da Verdade encontre paradeiro de presos políticos

Durante conversa da presidenta com membros do órgão, ela afirmou que familiares de desaparecidos durante a ditadura precisam ter a chance de "enterrar seus mortos"

Wilson Lima , iG Brasília

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Dilma se emociona em cerimônia que instalou a Comissão da Verdade

A presidenta Dilma Rousseff (PT) pediu aos sete membros da Comissão da Verdade  para que eles ajudem os familiares de militantes de esquerda desaparecidos durante o regime militar a terem a chance de “enterrar seus mortos”. O apelo da presidenta aponta que o órgão vai investigar, de forma prioritária, os crimes cometidos pelos militares.

Esse pedido foi feito em uma reunião ocorrida antes da instalação da Comissão da Verdade, no dia 16 de maio . Dilma Rousseff quer que o órgão esclareça em definitivo o paradeiro dos desaparecidos políticos na ditadura. No discurso de instalação da Comissão da Verdade, a presidenta Dilma afirmou, no entanto, que o órgão não será movido pelo ódio e o revanchismo.

A visão da presidenta vai ao encontro à opinião pessoal de cinco dos sete membros da Comissão da Verdade : a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, a psicóloga Maria Rita Kehl, o ex-procurador-geral da república Cláudio Fonteles, o diplomata Sérgio Pinheiro e o jurista e escritor José Paulo Cavalcanti.

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Durante o regime militar, a presidenta foi torturada e ficou três anos presa entre 1970 e 1972. No lançamento da Comissão da Verdade, Dilma chorou ao lembrar dos familiares que perderam parentes na ditadura militar. “O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade, e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”, disse a presidenta na ocasião.

Hoje, existe uma lista oficial de 827 desaparecidos políticos catalogada com base em pesquisas da Comissão da Anistia e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República . As investigações da Comissão da Verdade tomarão esses casos como ponto de partida. Uma outra tabela com cerca de 120 crimes da esquerda, também já em posse do órgão, dificilmente será investigada. Ela toma como base estudos de entidades ligadas aos militares. Conforme integrantes da própria comissão, esses crimes serão apurados “se houver tempo” para isso.

Durante essa semana, o ministro da Defesa, Celso Amorim, se reuniu pela primeira vez com os membros da Comissão da Verdade e afirmou que deve disponibilizar dados do Centro de Informações das Forças armadas para o órgão. A Comissão da Anistia também dará apoio à Comissão da Verdade disponibilizando acesso a pelo menos 70 mil documentos referentes a processos impetrados nos últimos dez anos.

Investigação

Três semanas após a primeira reunião da Comissão da Verdade, o órgão ainda tenta equacionar problemas burocráticos. Até o momento, apenas cinco dos 14 assessores disponíveis para o órgão foram nomeados. O órgão também ainda colhe informações prévias para o início das investigações, que deve acontecer a partir da próxima semana.

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Um dos primeiros convidados a depor é o jornalista Elio Gaspari, autor de quatro livros sobre a Ditadura Militar. Na segunda e na terça-feira da semana que vem a Comissão da Verdade estará em São Paulo para buscar informações em parceria com a Comissão da Verdade paulista, cujas investigações começaram no início do ano.

Nomes ligados aos militares, como o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna / DOI-CODI), nesse primeiro momento, não devem ser chamados a depor.

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