Comissão da Verdade já tem lista com mil crimes

Entre eles, são cerca de 830 casos de mortos e desaparecidos políticos e outras 120 vítimas de agentes da esquerda

Wilson Lima, iG Brasília |

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma e os membros da Comissão da Verdade
A Comissão da Verdade já tem uma lista com aproximadamente mil crimes a serem investigados nos dois anos de vigência do órgão. Nem todos esses casos serão alvo de apuração. A tendência é que a partir das próximas reuniões sejam estabelecidas as prioridades e os rumos de cada denúncia recebida até o momento.

Nesse primeiro momento, a Comissão da Verdade trabalha com três listas oficiais. Uma com base em critérios da Comissão da Anistia e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos que aponta 457 mortos ou desaparecidos políticos durante a ditadura militar. A segunda, baseada em um estudo da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República. Nessa lista existem 370 nomes. E a terceira, com 119 vítimas de agentes da esquerda, que tem origem em denúncias de diversas fontes recebidas por José Paulo Cavalcanti, membro da comissão, desde a semana passada.

Na próxima segunda-feira (21), será realizada a primeira reunião ordinária da Comissão da Verdade. Mas não há certeza se nela já serão discutidas essas listas. Isso porque a prioridade do órgão é terminar de equacionar questões burocráticas. Apesar dos integrantes terem a promessa da Casa Civil de que receberão toda a estrutura necessária para o desenvolvimento deste trabalho, a estrutura não foi completamente montada.

Conforme o iG informou nesta quinta-feira, pelo volume de informações que a Comissão vem recebendo, a prioridade deve ser a apuração dos crimes cometidos pelo Estado . Cinco dos sete membros querem focar as investigações nos casos de desaparecidos políticos. Apenas dois defendem que o órgão deva incluir também os chamados crimes da esquerda.

Após os primeiros dias de trabalho, a Comissão da Verdade ainda não definiu como serão iniciados os trabalhos de apuração. Se por meio de análise documental, por convite de testemunhas ou alguma forma alternativa de levantamento de dados.

A ideia é tentar, nessa fase de instalação, conseguir informações sobre o funcionamento de pelo menos outras 40 comissões da verdade de outros países para avaliar os pontos positivos e negativos de cada uma. Os integrantes da comissão também buscarão dados de outros órgãos semelhantes já em funcionamento em todo o Brasil, como em São Paulo e em Pernambuco.

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