Amigo de Collor vive no ‘exílio político’ desde que virou o 1º cassado do Senado

Luiz Estevão, muito antes do ‘caso Lalau’, já havia ajudado o ex-presidente a tomar US$ 5 milhões junto a banqueiros uruguaios

Wilson Lima, iG Brasília |

Avalista de Collor na chamada “Operação Uruguai”, um empréstimo de US$ 5 milhões contraído pelo ex-presidente para reformas na Casa da Dinda, o ex-senador Luiz Estevão está fora da vida pública há aproximadamente 12 anos. E recentemente deu declarações segundo as quais nem pensa em retomá-la tão cedo. Além disso, como ele foi condenado recentemente por órgão colegiado, ele é considerado inelegível, pelo menos, até 2014.

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Amigo de Fernando Collor no Ciem (Centro Integrado de Ensino Médio), com hobbies e hábitos parecidos como as lutas de caratê e corridas de automóveis, Estevão aproximou-se ainda mais do político quando decidiu investir na campanha presidencial do amigo em 1989. O apoio na “Operação Uruguai”, na verdade uma justificativa até hoje nada convincente para o crescimento abrupto do patrimônio de Collor quando ele estava na Presidência da República, estreitou ainda mais os laços entre os velhos amigos.

O agradecimento do ex-presidente veio em forma de apoios políticos mais tarde. Um exemplo: o Banco Central, durante a gestão Collor, deu aval para o funcionamento do banco OK, de Estevão. Além disso, foi durante o governo Collor que Estevão manteve os primeiros contatos como o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que depois ficou conhecido como Lalau.

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As empresas de Estevão foram listadas como beneficiárias do esquema de Lalau no TRT de São Paulo
Estevão entrou na vida pública em 1994, quando foi eleito deputado federal. Em 1998, chegou ao Senado mas ficou apenas dois anos. Ele foi casado em 2000 durante a CPI do Judiciário por envolvimento no esquema de fraude na construção da sede do TRT de São Paulo, na gestão de Nicolau dos Santos Neto. Sua cassação ocorre em junho de 2000 por 52 votos a 18. As empresas de Estevão foram listadas como beneficiárias do esquema que desviou R$ 169 milhões das obras do TRT paulista.

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Estevão foi o primeiro (e único) senador cassado pelo Senado e tornou-se inelegível por um período de oito anos. O ‘exílio político’ terminou há três anos, mas ele nunca incitou um retorno à vida pública. O mais próximo disso foi um apoio velado à candidatura do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) no ano passado. Ele mesmo evita falar em um eventual retorno à política.

Hoje, as maiores preocupações de Estevão estão no âmbito da Justiça. No final de março, ele foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) por sonegação fiscal, referente a uma fazenda no DF. Em 2006, ele já havia sido condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região por peculato, corrupção, ativa, falsificação de documentos, entre outros crimes cometidos durante as obras do TRT paulista.

Pela primeira condenação de 2006, Luiz Estevão está inelegível até pelo menos 2014 com base na lei da Ficha Limpa. Mas consultores jurídicos ouvidos pelo iG acreditam que o período de inelegibilidade de Stevão pode ir até 2020, já que ele também foi condenado por órgão colegiado em 2012.

Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) também protocolou denúncia contra o ex-senador por lavagem de dinheiro. Na acusação do MPF, ele utilizou o clube de futebol Brasiliense como empresa de fachada para ocultar transações financeiras sem comprovação fiscal do Grupo OK.

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