Maioria da Comissão da Verdade quer investigar apenas militares

Apenas dois membros defendem efetivamente que sejam apurados crimes tanto do Estado, quanto os de militantes de esquerda

Wilson Lima, iG Brasília |

Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff ao lado dos sete membros da Comissão da Verdade
Um dia após a posse dos sete membros da Comissão da Verdade ainda não está definido se o órgão vai apurar apenas os crimes cometidos pelos militares durante a ditadura ou se também serão esclarecidas violações de direitos humanos cometidas pela chamada esquerda. Entretanto, se depender da vontade da maioria dos integrantes do órgão, provavelmente os chamados crimes da esquerda serão excluídos da investigação.

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O iG apurou que dos sete membros da Comissão da Verdade, quatro são radicalmente contra a apuração dos chamados crimes da esquerda: a advogada Rosa Maria Cardoso da Cunha, a psicóloga Maria Rita Kehl, o ex-procurador-geral da república Cláudio Fonteles e o diplomata Sérgio Pinheiro.

Nesse grupo, a visão é que os militantes da esquerda já foram punidos durante o regime militar. A criminalização de determinados atos é vista como uma dupla punição. Além disso, eles argumentam que o tempo de trabalho do órgão é relativamente pequeno para abrir o leque das investigações. Pela lei, a Comissão da Verdade terá dois anos para apresentar seu relatório.

O escritor José Paulo Cavalcanti também é a favor de que a apuração se atenha apenas às violações de direitos humanos cometidas pelos militares. Entretanto, o escritor não se opõe ao resgate dos crimes da chamada esquerda. Tanto que ele já tem um pedido de investigação de 119 crimes cometidos por militantes .

Os dois únicos membros amplamente favoráveis à investigação de todos os casos, quer sejam eles da esquerda ou do Estado, são o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e primeiro coordenador da Comissão, Gilson Dipp. A justificativa deles é a seguinte: a lei que instituiu a Comissão da Verdade não especifica o foco das investigações.

Na primeira reunião de trabalho dos sete membros da Comissão da Verdade não houve qualquer discussão sobre o foco das investigações. A tendência é que esse assunto seja abortado na próxima segunda-feira (21), data do primeiro encontro ordinário da Comissão.

A divergência entre os membros sobre esse assunto criou um mal estar antes mesmo da Comissão ser instalada. Tanto que para evitar novas polêmicas, desde a quarta-feira (16), o ministro Gilson Dipp passou a ser o único responsável por passar novas informações sobre o trabalho do grupo.

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