Oposição pedirá convocação de Cabral em CPI

Governador do Rio de Janeiro será chamado para prestar depoimento sobre sua relação com o dono da Delta Construções

AE |

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Partidos de oposição decidiram pedir a convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), à CPI do Cachoeira, para explicar as relações com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Embora o PMDB nacional esteja pronto para entrar em campo e evitar o depoimento do governador, o PSDB e o PSOL argumentam que a Delta está no centro das investigações e lembram os contratos do governo do Rio com a empreiteira, que recebeu R$ 1,5 bilhão na gestão Cabral.

Na semana passada, Cavendish se afastou da direção da Delta, apontada pela Polícia Federal como financiadora de empresas fantasmas criadas pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, preso em consequência das investigações da Operação Monte Carlo. 

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Para parlamentares do Rio adversários de Cabral, a convocação do governador tornou-se inevitável depois da divulgação, pelo deputado e ex-governador Anthony Garotinho (PR), de uma série de fotos e vídeos do governador em momentos de descontração com Cavendish. Desde a última sexta-feira, Garotinho divulga novas imagens a cada dia, sempre mostrando Cabral, secretários de Estado e Cavendish, com suas mulheres, em festas suntuosas e jantares nos mais caros restaurantes da França. 

"A CPI investiga as relações mafiosas do Cachoeira com a Delta e a Delta emergiu no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, as fotos e vídeos mostram a relação íntima da Delta e de Fernando Cavendish com Cabral. A sociedade exige um esclarecimento do governador e a CPI é o âmbito para essas explicações", diz o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), pré-candidato a prefeito do Rio. 

Otávio Leite, que não está na CPI, acertou nesta terça-feira com Fernando Francischini (PSDB-PR), integrante da comissão de inquérito, o conteúdo do requerimento de convocação de Cabral. Francischini disse que "os fatos são graves" e discutirá nesta quarta-feira o assunto com os outros deputados tucanos da CPI. "Decidimos assinar todos os requerimentos em conjunto", afirmou o parlamentar paranaense. 

O deputado do PSOL Chico Alencar (RJ) também defende a convocação de Cabral e vai conversar com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), suplente da CPI. "Como a CPI é do Cachoeira e da Delta, todas as articulações e ganhos da Delta têm que ser verificados e, nesse plano, o governador Sérgio Cabral tem informações a dar. Não temos pressa, mas o governador deve falar à CPI", diz Chico Alencar. 

Líderes do PMDB nacional disseram não terem sido procurados pelo governador nos últimos dias, mas reiteraram que não há motivos para a convocação de Cabral, que não é citado nas investigações da Polícia Federal e não tem nenhuma ligação conhecida com Cachoeira. Todos reconhecem, porém, o enorme desgaste de Cabral com a divulgação das imagens de viagens luxuosas do governador ao lado de Cavendish. 

A assessoria de imprensa de Cabral disse que o governador "arca com suas despesas pessoais" nas programações que não envolvem compromissos oficiais. Em nota divulgada na tarde de sábado, Cabral confirmou a amizade com Cavendish e disse que não tinha conhecimento da relação da Delta com Cachoeira. "Nunca misturei amizade com interesse público", disse o governador. Hoje, a assessoria de imprensa informou que o governador não comentaria a possibilidade de convocação para a CPI, porque os trabalhos da investigação parlamentar ainda não começaram. 

A assessoria de imprensa da Delta disse em nota que "o empresário Fernando Cavendish e o governador Sérgio Cabral jamais esconderam a amizade que têm" e que "isso nunca influenciou a vida empresarial (de Cavendish) e a trajetória pública (de Cabral)". "A vida privada do empresário e do governador não está em debate em nenhuma esfera", conclui a nota.

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