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Alexandre Padilha

O ministro da Saúde nega, mas indícios apontam que ele será sim candidato ao governo de São Paulo

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Apesar da grita generalizada das entidades médicas, os estrangeiros chegaram, e o programa Mais Médicos implementado na gestão de Padilha parece firme nos propósitos

Ele nega, mas os indícios são reveladores. Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde, aos poucos demonstra que é, sim, candidato ao governo de São Paulo nas eleições do ano que vem: no último mês de julho, em surdina, transferiu seu domicílio eleitoral de Santarém (PA) para a capital paulista. Explica-se: entre 2000 e 2004, Padilha foi coordenador, no Pará, do programa Projetos de Pesquisa, Vigilância e Assistência em Doenças Tropicais, da Organização das Nações Unidas. Por este motivo, tinha Santarém como domicílio eleitoral. Agora, o petista está cadastrado na 1ª zona eleitoral, seção 238, no colégio Caetano de Campos. A mudança foi necessária devido a uma resolução do PT segundo a qual, para ser candidato, o filiado é obrigado a participar de ao menos três plenárias em sua base. 

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Alexandre Padilha tem o aval do ex-presidente Lula. Mas ele próprio continua desconversando: “O processo eleitoral nem começou ainda”, disse o ministro, após a divulgação de uma pesquisa realizada pelo DataFolha, em julho. Nela, Padilha aparece com 3% das intenções de voto, atrás do governador tucano Geraldo Alckmin, do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e do ex-prefeito Gilberto Kassab. “Vi que tenho 3% e lembrei que quem começa com 3% tem dado sorte”, brincou ele, numa referência à disputa pela prefeitura paulista, ano passado, quando o atual prefeito, Fernando Haddad, também aparecia, no início da campanha, com a mesma percentagem. 

“Com a liderança do presidente Lula, o papel decisivo da presidente Dilma, temos ótimos nomes para concorrer ao governo de São Paulo”


Para Padilha, a escolha de qualquer candidato a qualquer cargo, dentro do PT, é uma escolha natural e amadurecida. A decisão, como a de concorrer em 2014, segue-se a um processo sem traumas. “Com a liderança do presidente Lula, o papel decisivo da presidente Dilma, temos ótimos nomes para concorrer ao governo de São Paulo”, disse o ministro, que sabe ter, como possíveis concorrentes petistas à indicação, o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, a quem considera “um candidato natural”, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso; o ministro da Fazenda, Guido Mantega; a ministra da Cultura, Marta Suplicy; a ministra do Planejamento, Mirim Belchior; o atual prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. 

Como se vê, uma parada dura; ainda mais quando o PT tem como questão de honra tirar o PSDB do governo do estado, no qual o maior adversário está há mais de 20 anos. Padilha é o favorito à disputa. A última palavra, no entanto, será de Lula, e todos dentro do PT sabem que ele não abre mão de indicar o ministro da Saúde. É esperar para ver se, a exemplo de Dilma e Haddad, ele acerta mais uma vez. 

Alexandre Rocha dos Santos Padilha nasceu no dia 14 de setembro de 1971. Formou-se em medicina pela Universidade Estadual de Campinas. Em 1990, sua atuação no movimento estudantil levou-o a ser coordenador geral da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina. Um ano depois, ingressou no Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores, no qual permaneceu até 1993. Destacando-se na vida partidária, foi convidado para trabalhar na coordenação nacional das campanhas à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989 e 1994. 

Depois de passar quatro anos no Pará, como coordenador de Projetos de Pesquisa, Vigilância e Assistência em Doenças Tropicais, em 2004, durante o primeiro mandato do presidente Lula, assumiu o cargo de diretor de Saúde Indígena, na Fundação Nacional de Saúde. No ano seguinte, foi conduzido para a Secretaria de Relações Institucionais, ligado à Presidência da República, onde permaneceu até 2010, primeiro como assessor e depois como secretário com status de ministro. Assumiu a pasta no fim de 2009, após José Múcio Monteiro ter sido indicado pelo presidente Lula à vaga aberta no Tribunal de Contas da União. 

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Padilha foi nomeado ministro da Saúde pela presidente Dilma Rousseff no fim de 2012. Ele entrou no lugar de José Gomes Temporão, que ocupava o cargo no governo Lula. Logo após assumir, Padilha enfrentou uma greve de servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Em maio de 2013, mais um duro golpe: as investigações mediadas pelo procurador geral da República Roberto Gurgel a respeito de suspeitas de irregularidades na Funasa, em 2004, quando Padilha era diretor de Saúde Indígena do órgão. Segundo as denúncias, teriam sido constatadas irregularidades na celebração e execução de convênios firmados entre a Funasa e a Fundação Universidade de Brasília. Em resposta, uma nota divulgada pelo Ministério da Saúde afirmou que as irregularidades teriam ocorrido antes de Padilha assumir o cargo em 15 de junho de 2004.  

"Não admitimos qualquer incitação ao preconceito ou à xenofobia. Temos de receber de braços abertos os médicos e médicas que aceitaram convite do governo brasileiro”


Mas a briga maior ainda estava por acontecer. Em junho de 2013, a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina declararam Alexandre Padilha “persona non grata”. Por trás da gravidade da declaração, estava a intenção da presidente Dilma de importar médicos estrangeiros para atuar em áreas remotas do Brasil, sem precisar do exame de comprovação de capacidade denominado Revalida. Em maio, os governos de Cuba e do Brasil haviam anunciado uma parceria para a vinda de seis mil médicos cubanos, a qual foi criticada pelas principais entidades médicas nacionais. 

A guerra continuou em julho, quando o Conselho de Medicina do Pará abriu processo contra Padilha por este anunciar-se como infectologista “de maneira ilegal”. Em reposta, o ministro publicou em uma rede social – trata-se de um tuiteiro contumaz – uma foto de seu diploma de especialista em infectologia. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo publicou nota afirmando que Padilha concluiu o curso de residência médica na instituição. 

Em mais um capítulo da queda de braço, o programa Mais Médicos prosseguiu recebendo inscrições de profissionais médicos brasileiros e estrangeiros. Nesta fase inicial, o programa pretende levar 1.753 médicos para 626 municípios. De acordo com o Ministério da Saúde, 51,3% das vagas ocupadas estão em municípios de maior vulnerabilidade social e 48,6% nas periferias de capitais e região metropolitanas. O Mais Médicos prevê ainda a ampliação de vagas de residência médica e contratação de milhares de profissionais para melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e a formação de médicos brasileiros.  

Em protesto contra o programa, médicos promoveram um dia de protesto e paralisação, em 30 de julho, em várias cidades do país. Em Brasília, um grupo de 70 manifestantes, alguns com narizes de palhaço, concentrou-se em frente ao Ministério da Saúde. Os profissionais cobraram mais investimentos, da ordem de 10% da receita bruta da União, na saúde pública. Os médicos atenderam à convocação da Federação Nacional dos Médicos, a qual foi criticada pelo ministro, principalmente pelo cancelamento de cirurgias e consultas em unidades do SUS. “O Ministério da Saúde está com as portas abertas para ouvir sugestões concretas. Mas não concordo que se prejudique a população que às vezes espera meses por uma cirurgia ou uma consulta”, reconheceu Padilha. 

Apesar da grita generalizada das entidades médicas, os estrangeiros chegaram, e o programa parece firme nos propósitos. A gralhas passam, mas Padilha – ministro e pré-candidato – também segue em frente.
Dados Pessoais
  • 41 anos
  • Médico e político, ministro da Saúde
  • Formado em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
  • Nasceu em São Paulo (SP)