WikiLeaks publica emails confidenciais da empresa americana Stratfor

Site fundado por Assange promete divulgar 5 milhões de emails sobre suborno, rede de informantes e lavagem de dinheiro

iG São Paulo |

O site WikiLeaks anunciou nesta segunda-feira que começou a publicar mais de 5 milhões de emails confidenciais da Stratfor, empresa privada dos Estados Unidos de inteligência e análise estratégica.

As mensagens eletrônicas, datadas entre julho de 2004 e dezembro de 2011, revelaram o uso de "redes de informantes, estruturas de suborno, técnicas de lavagem de dinheiro e (o emprego de) métodos de cunho psicológico", indicou o site em comunicado. "Os documentos mostram como trabalha uma empresa privada de informação e como bloqueia os indivíduos para seus clientes privados e governamentais", acrescentou o site.

AP
Em Londres, Assange falou sobre a nova publicação do site
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O WikiLeaks afirmou ter provas da existência de vínculos confidenciais entre a Stratfor e companhias como a Indienne Bhopal's Dow Chemical Co. e a Lockheed Martin, assim como organizações governamentais, entre elas o Departamento de Estado, o de Segurança Interna, o Corpo de Fuzileiros Navais e o órgão de informação para Defesa.

Processo

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange , atualmente está na Grã-Bretanha e tenta evitar uma extradição para a Suécia, país que quer interrogá-lo por quatro supostos crimes sexuais, incluindo um estupro. O WikiLeaks teme que, caso Assange seja extraditado para a Suécia, Estocolmo o envie aos Estados Unidos.

Com a nova publicação, o site promete provar a intenção da Stratfor de "subverter" a web e vai mostrar como os americanos tentaram "atacar" Assange. Ao anunciar a nova publicação do site, nesta segunda-feira, em Londres, Assange definiu a Stratfor como a “inteligência privada” da Enron, empresa texana de energia que foi à falência em 2001.

A Stratfor, fundada em 1996 por George Friedman, se define como "provedora de um serviço de análise de assinatura geopolítica por assinatura". Segundo a página da companhia texana, "ao contrário dos canais tradicionais de notícia, a Stratfor utiliza os serviços de inteligência para coletar informações graças a um rigoroso software de escutas e uma rede global de fontes humanas".

A empresa privada promete a seus assinantes "conhecimento profundo dos assuntos internacionais, que abrange o que acontece, por que acontece e o que ainda vai acontecer".

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De acordo com o WikiLeaks, a dimensão dessas mensagens só será entendida em algumas semanas, quando os meios de comunicação associados e o público examinarem as mensagens.

Diplomacia

O WikiLeaks também afirmou ter a prova de que a Stratfor deu assinatura ao general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe dos serviços secretos do país, que segundo documentos diplomáticos dos Estados Unidos, preparava um ataque com uma bomba artesanal contra membros das forças internacionais no Afeganistão em 2006.

O grupo WikiLeaks diz ainda que tem evidências de que a Stratfor escutou a movimentação online de ativistas que buscavam reparações para a catástrofe de Bhopal, na Índia. Esse acidente, o pior da história da indústria mundial, deixou milhares de mortos depois de uma nuvem de gás tóxico escapar da fábrica de pesticidas do grupo Dow Chemical/Union Carbide.

Na sexta-feira, o soldado americano Bradley Manning , 24 anos, foi indiciado por conluio com o inimigo. Manning é acusado de ter vazado para o WikiLeaks, entre novembro de 2009 e maio de 2010, documentos militares dos Estados Unidos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, assim como 260 mil comunicados diplomáticos do Departamento de Estado.

*Com AFP e AP

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