O site WikiLeaks, especializado em divulgar material confidencial de governos e organizações internacionais, tem uma longa lista de "vazamentos" (leaks, em inglês).
Durante as eleições americanas de 2008, o WikiLeaks divulgou imagens da caixa de emails, de fotos e da lista de endereços da candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin. Outro documento polêmico divulgado foi uma cópia de um guia detalhando o tipo de tratamento dado a prisioneiros do centro de detenções americano na Baía de Guantánamo, em Cuba.
A série de grandes vazamentos deste ano teve início em abril, quando o site publicou um vídeo mostrando um helicóptero Apache americano deixando pelo menos 12 mortos - incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters - durante um ataque em Bagdá em 2007.
A denúncia sobre a ação militar foi seguida em julho pela divulgação de 72 mil de 90 mil documentos oficiais sobre a Guerra do Afeganistão.
Entre outros pontos, o dossiê revelou que a coalizão liderada pelos EUA matou centenas de civis em incidentes não registrados. Em outubro, o site divulgou dossiê similar sobre o Iraque, no qual afirma que 63% dos mortos no país entre 2003 e 2009 eram civis.
O mais recente vazamento ocorreu em novembro, quando o site divulgou 250 mil correspondências diplomáticas dos EUA.
Disputas Legais
O Wikileaks provocou controvérsias quando apareceu na internet, em dezembro de 2006, e ainda divide opiniões: para uns, é uma ameaça, para outros, representa o futuro do jornalismo investigativo.
Em março, o diretor do site, o australiano Julian Assange, publicou um documento supostamente emitido pelo serviço de inteligência americano, declarando que o WikiLeaks representava uma "ameaça às Forças Armadas dos Estados Unidos". Mais tarde, o governo americano confirmou à BBC que os documentos eram verdadeiros.
Qualquer um pode oferecer material ao site de forma anônima, mas uma equipe de revisores - voluntários da grande imprensa, jornalistas e funcionários do site - decide o que é publicado. "Usamos técnicas avançadas de criptografia e técnicas legais para proteger nossas fontes", disse Assange à BBC em fevereiro.
O site diz que aceita "material confidencial, censurado ou restrito que tenha significância política, diplomática ou ética", mas não recebe "rumores, opiniões e outros tipos de reportagens em primeira mão ou material que já está disponível publicamente". "Nos especializamos em permitir a delatores e jornalistas censurados que disponibilizem seu material ao público", disse Assange.
O Wikileaks é administrado por uma organização conhecida como Sunshine Press e diz ser "financiado por campanhas pelos direitos humanos, jornalistas investigativos, tecnólogos e o público em geral". O site diz ter driblado mais de "cem ataques legais" (processos legais com o objetivo de suspender suas operações) desde seu surgimento.
Em 2008, por exemplo, o banco suíço Julius Baer conseguiu que um tribunal bloqueasse o site após a publicação de centenas de documentos sobre as atividades internacionais do banco. Entretanto, vários "espelhos" do site - hospedados em diferentes servidores situados em várias partes do mundo - continuaram a operar. A ordem do tribunal acabou sendo revogada.
Futuro
Segundo o WikiLeaks, seu sucesso em batalhas jurídicas se deve ao que o site chama de "hospedagem à prova de balas". Ele é hospedado principalmente pelo provedor sueco PeRiQuito (PRQ), que ficou famoso por hospedar o site ilegal de trocas de arquivos de música The Pirate Bay.
"(O WikiLeaks) é legal na Suécia. Vamos hospedá-lo e mantê-lo funcionando quaisquer sejam as pressões", diz o provedor. O site também é hospedado em outros países, incluindo a Bélgica.
"Para proteger a segurança de nossas fontes, tivemos de espalhar nossos ativos, criptografar tudo e transferir telecomunicações e pessoal para outras partes do mundo para ativar leis de proteção em diferentes jurisdições nacionais", disse Assange à BBC em fevereiro. "Ficamos bons nisso e nunca perdemos um caso, ou fonte, mas não podemos esperar que todos façam o esforço extraordinário que fazemos."
Apesar de sua fama mundial, o site enfrentou problemas financeiros. Em fevereiro, suspendeu suas operações por não poder arcar com os custos de suas operações. Segundo Assange, doações de indivíduos e organizações salvaram o site.
*Com BBC
| moeda | compra | venda | var. % |
|---|
| indice | data | ultimo | var. % |
|---|