Rússia condena EUA por denúncias de fraude eleitoral

Secretária de Estado americana afirma que eleições de domingo não foram 'livres e justas'; líder da oposição é detido em protesto

iG São Paulo |

O presidente russo, Dmitri Medvedev, rejeitou nesta terça-feira as críticas ocidentais ao sistema político russo, referindo-se às declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre a fraude nas eleições parlamentares russas de domingo . A eleição foi um teste de popularidade para o primeiro-ministro Vladimir Putin, que concorrerá novamente à presidência do país em março .

AP
Com máscara de Darth Vader, membro de movimento juvenil pró-Kremlin participa de manifestação no centro de Moscou
Hillary, que na véspera tinha citado preocupações sobre irregularidades na votação, voltou a criticar as eleições russas nesta terça-feira, dizendo que a população “merece uma investigação completa sobre fraudes e manipulações eleitorais”. De acordo com a chanceler americana, as eleições russas não foram "livres e justas", afirmando que isso demonstra que menosprezam a confiança da cidadania em suas instituições.

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As declarações foram feitas enquanto manifestantes que desafiavam uma proibição a manifestações não aprovadas entraram em confronto com partidários de Putin no centro de Moscou. A polícia prendeu ao menos cem manifestantes, incluindo o liberal Boris Nemtsov, veterano político que é um dos líderes da oposição. Os choques ocorreram apesar de milhares de policiais e tropas do Ministério do Interior terem sido chamados às ruas de Moscou para reforçar a segurança .

Na noite de segunda, ao menos 300 foram detidos em Moscou e mais 120 em São Petersburgo, onde um protesto similar contra a fraude eleitoral foi realizado. O líder opositor Ilia Yashin foi condenado a 15 dias de prisão por "desobedecer ordens policiais" durante a manifestação na capital. A mobilização de segunda foi uma das maiores a ocorrer em Moscou em anos .

O Ministério das Relações Exteriores russo também condenou as críticas da Casa Branca e do Departamento de Estado. "As declarações da secretária de Estado dos EUA e os comentários análogos de representantes da Casa Branca e do Departamento de Estado são inaceitáveis", afirmou o ministério em um comunicado.

Previamente, o comitê de Relações Exteriores da Duma (Câmara Baixa do Parlamento russo) também criticou Hillary. "As declarações são absolutamente inaceitáveis. Tais conclusões (sobre fraude eleitoral) não constam em qualquer relatório elaborado pelos observadores internacionais", declarou Konstantin Kosachov, chefe do comitê, citado pela agência "Interfax". Segundo ele, "essa é uma das páginas mais obscuras da história das relações russo-americanas depois da retomada dos contatos".

A missão de observadores internacionais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) denunciou na segunda-feira irregularidades na apuração das eleições parlamentares de domingo na Rússia.

Entre as denúncias se destacam a introdução em massa de cédulas e o transporte em ônibus de dezenas de pessoas a diferentes colégios para que votassem repetidamente no partido governista. Os observadores também denunciaram que várias páginas na internet associadas à oposição foram atacadas.

"A qualidade do processo eleitoral se deteriorou consideravelmente durante a apuração, que foi caracterizada por frequentes violações de procedimentos e casos de aparente manipulação, incluindo indícios graves de introdução em massa de cédulas nas urnas", apontou o relatório dos observadores internacionais.

Com 99,99% dos votos apurados, o presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Vladimir Chúrov, o governista Rússia Unida conquistou 49,3% dos votos (32,3 milhões de eleitores, ou 238 cadeiras), ou seja, a maioria absoluta na Duma. Os comunistas seriam a segunda força mais votada com 19,2% (92 cadeiras), quase o dobro do resultado obtido há quatro anos, seguidos pelos social-democratas da Rússia Justa, 13,25% (64), e pelos ultranacionalistas do Partido Liberal Democrático, com 12% (56).

Reuters
Partidários do governo russo fazem manifestação em Moscou em resposta a protesto da oposição
Putin disse nesta terça-feira estar satisfeito com o desempenho do Rússia Unida nas urnas, apesar de o percentual de cerca de 50% dos votos ser uma queda significativa em relação aos 64% conquistados em 2007.

*Com EFE, BBC e Reuters

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