Putin acusa EUA de estimular protestos pós-eleições na Rússia

Premiê afirma que Hillary Clintou 'deu um sinal' aos opositores ao denunciar supostas irregularidades na votação

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de estimular os protestos no país após as eleições parlamentares de domingo. De acordo com o premiê, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, “deu um sinal” aos opositores do governo ao denunciar supostas irregularidades na votação.

“Eles ouviram esse sinal e, com o apoio do Departamento de Estado americano, começaram a agir”, afirmou Putin, em discurso transmitido na televisão russa.

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AP
Putin participa de reunião em Moscou, na Rússia

Manifestantes saíram às ruas de Moscou e São Petersburgo por três dias consecutivos para protestar contra supostas irregularidades nas eleições e manipulações dos resultados. O partido de Putin, Rússia Unida, conseguiu cerca de 50% dos votos, forte queda em relação aos 64% obtidos na eleição de 2007.

Policiais reprimiram os protestos e entraram em choque com manifestantes, detendo centenas. Em Moscou, cerca de 50 mil policiais e militares estão nas ruas para garantir a segurança, e Putin sugeriu que as medidas podem ser reforçadas. “Precisamos pensar sobre a ideia de reforçar a lei e punir aqueles que realizam a tarefa de um governo estrangeiro de influenciar no processo político interno”, disse o premiê.

Segundo o premiê russo, as pessoas têm direito de manifestarem-se nas ruas, mas sem transgredirem a lei. "As pessoas têm o direito de expressar sua opinião desde que ajam dentro da lei", disse.

Putin afirmou que muito dinheiro externo foi usado para financiar campanhas eleitorais na Rússia. “Isso nos faz parar para pensar quanto dinheiro investido a partir do exterior é usado para interferir na atividade política interna do país”, afirmou. “É inadmissível o investimento de dinheiro externo em processos eleitorais.”

Na segunda-feira, Hillary citou preocupações sobre irregularidades na votação e, um dia depois, voltou a criticar as eleições russas dizendo que a população “merece uma investigação completa sobre fraudes e manipulações eleitorais”.

De acordo com a chanceler americana, as eleições russas não foram "livres e justas", afirmando que isso demonstra que menosprezam a confiança da cidadania em suas instituições. As declarações de Hillary foram criticadas pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, e pelo Ministério das Relações Exteriores, que considerou o comentário “inaceitável”.

Nesta quinta, após as críticas de Putin, Hillary afirmou que suas declarações foram "bem fundamentadas" e que o fato de EUA e Rússia terem desentedimentos sobre a instalação de um sistema de defesa antimísseis na Europa não justifica a adoção de medidas de contenção por parte do governo russo.

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Todos os setores opositores e observadores internacionais foram unânimes ao denunciar graves irregularidades na votação de domingo. As autoridades russas, por sua parte, dizem que a votação foi perfeitamente livres e justas e rejeitam todas as acusações de fraude.

Entre as denúncias se destacam a introdução em massa de cédulas e o transporte em ônibus de dezenas de pessoas a diferentes colégios para que votassem repetidamente no partido governista. "A qualidade do processo eleitoral se deteriorou consideravelmente durante a apuração, que foi caracterizada por frequentes violações de procedimentos e casos de aparente manipulação, incluindo indícios graves de introdução em massa de cédulas nas urnas", apontou o relatório dos observadores internacionais.

Nesta quinta-feira, Medvedev declarou em Praga que as supostas irregularidades devem ser investigadas. "As perguntas que os descontentes levantam sobre as eleições são razoáveis. Se há irregularidades é preciso investigá-las, mas para isso há juízes", afirmou em coletiva concedida após uma reunião com o governante da República Checa, Václav Klaus.

"Não há uma máquina eleitoral perfeita", reconheceu, afirmando que seu país escutou a voz dos observadores internacionais e agora a investigação "deve ser feita cuidadosamente, com vídeos e material fotográfico".

Com Reuters, AP e EFE

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