Palestinos entram em choque com forças de Israel na Cisjordânia

Um homem morre na vila de Qusra, enquanto dezenas desafiam forças de segurança em posto de controle de Qalandiya

iG São Paulo |

Um palestino foi morto por disparos durante um confronto com soldados israelenses e colonos na Cisjordânia. O incidente, testemunhado por um repórter da Associated Press, começou quando 200 colonos queimaram e desenraizaram árvores nesta sexta-feira perto da vila palestina de Qusra.

AFP
Palestinos retiram homem morto por disparo de soldados durante confrontos iniciados depois que colonos israelenses atacaram vila palestina de Qusra
Habitantes locais jogaram pedras nos colonos. Soldados israelenses usaram gás lacrimogêneo e depois munição real. Os colonos também dispararam suas armas. O homem morto foi identificado como Issam Badran, de 35 anos. Um médico palestino disse que ele foi atingido no pescoço. Outro palestino foi ferido e levado pelo Exército.

O incidente aconteceu em um momento de aumento das tensões com a expectativa de que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, apresente nesta sexta-feira seu pedido pelo reconhecimento de um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Abbas apresentará a reivindicação histórica de um Estado conforme as fronteiras anteriores à Guerra do Seis Dias, de 1967, que incluem Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

No posto de controle no cruzamento de Qalandiya, um cruzamento-chave entre Jerusalém e a Cisjordânia, dezenas de jovens palestinos arremessaram pedras e garrafas contra as forças de segurança nesta sexta-feira.

Segundo a rede de TV CNN, não há feridos. Centenas de forças de segurança de Israel estão posicionadas no local, mas não recorrem à violência.

Segundo a polícia, três jovens palestinos foram presos em Beit Hanina, em Jerusalém Oriental, depois de terem lançado pedras e posto fogo em pneus. Dois outros jovens foram presos em Jerusalém depois de tentar entrar à força no Monte do Templo. Ninguém ficou ferido.

Apesar de tais protestos serem ocorrências comuns nas sextas-feiras, dia de preces muçulmanas, os de hoje ocorrem no dia emotivo para os palestinos por causa da busca de reconhecimento de seu Estado. Após o discurso, Abbas entregará ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma carta reivindicando a votação do status como membro pleno no Conselho de Segurança.

A adesão total só pode ser conferida pelo órgão (composto por 15 membros, dos quais cinco com poder de veto). Com o argumento de que as negociações são o único caminho para um Estado palestino, os EUA se opõem à medida e ameaçaram vetar o pedido . Israel advertiu que a iniciativa terá consequências ruins para os palestinos .

Com o provável fracasso da tentativa de obter o reconhecimento completo, os palestinos devem então pedir à Assembleia Geral da ONU que aprove a mudança de seu status de "entidade" para "Estado observador não-membro" - que é usufruído por outros, como o Vaticano, e contra o qual um veto não é possível. Para aprovar a mudança, precisariam de dois terços dos 193 votos da Casa.

Israel rejeita proposta francesa

Previamente ao discurso de Abbas, Israel anunciou que rejeitava a proposta do presidente francês, Nicolas Sarkozy , de conceder diretamente à Palestina o status de "Estado não-membro" em troca do atraso em um ano da votação de admissão como membro pleno.

Segundo o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, tal mudança de status implicaria em reconhecer a existência de um Estado à margem das negociações de paz.

"Não nos opomos à ideia de um Estado palestino, mas deve ser um que saia de negociações. Portanto, não deve haver nenhum tipo de reconhecimento antes de chegarmos a um acordo de paz", disse Palmor. Segundo a autoridade israelense, a proposta do líder francês é "prejudicial" para futuras negociações de paz, já que "um Estado membro" ou um "Estado observador" teriam as mesmas consequências negativas.

O objetivo da proposta francesa era oferecer uma expectativa política aos palestinos após 20 anos de negociações infrutíferas e ganhar tempo para um processo negociador antes que seja admitida na ONU.

As negociações diretas entre palestinos e israelenses estão estagnadas há um ano por causa da recusa de Israel em evitar novos assentamentos de colonos. O Conselho de Segurança não tem um prazo definido para analisar a carta palestina, mas, segundo os especialistas, esse processo pode levar várias semanas.

Os serviços de segurança israelenses declararam estado de alerta máximo a partir da manhã desta sexta-feira pelo temor de possíveis distúrbios depois do discurso de Abbas. A situação de alerta, que estará em vigor durante três semanas, inclui 9 mil policiais, além de milhares de voluntários para garantir a segurança dentro das zonas mais sensíveis de Israel.

*Com AP e EFE

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