Otan admite responsabilidade por morte de jornalista da BBC

Segundo relatório da Isaf, um soldado americano no Afeganistão confundiu o repórter Ahmed Omed Khpulwak, 25 anos, com terrorista

iG São Paulo |

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) admitiu nesta quinta-feira que um de seus soldados matou por engano o repórter da BBC Ahmed Omed Khpulwak no dia 28 de julho, no Afeganistão. Segundo um relatório da missão liderada pela Otan no país, a Isaf (Força Internacional de Assistência para Segurança, na sigla em inglês), um soldado americano confundiu o repórter com um suicida que detonaria explosivos em um ataque na cidade de Tarin Kowt, na província de Uruzgan, no sul do país.

A Isaf afirmou que um inquérito militar sobre as circunstâncias da morte do repórter de 25 anos, um dos 19 mortos na ocasião, descobriu que os soldados o confundiram com um militante infiltrado no prédio da Rádio Televisão Afeganistão (RTA).

Reuters
Moradores passam por soldados americanos no distrito de Jalalabad, no Afeganistão
Enquanto as forças afegãs combatiam os insurgentes, que também tinham atacado o complexo do governo ao lado, forças norte-americanas começaram a limpar o edifício da RTA.

Durante a operação, um soldado viu um adulto jovem, que foi identificado posteriormente como Khpalwak, no prédio adjacente a uma sala onde um dos suicidas tinha detonado seus explosivos.

Depois houve um tiro disparado que o soldado acreditou ter partido do local onde estava o homem. O soldado deu um único tiro de volta, mas esse não acertou o alvo. Nesse momento, outros soldados alertaram que o tal homem estaria atirando.

Na sequência do acontecimento, um soldado aproximou-se da janela onde ele estava e disparou com seu fuzil M-4, matando o jornalista por engano, segundo a investigação. Forças afegãs retiraram o corpo e o identificaram como Khpalwak. Ele estava desarmado e nenhuma munição foi encontrada perto dele.

A Otan disse que a morte do jornalista foi trágica, expressou suas condolências para a sua família, mas disse que seus homens agiram de acordo com as regras de conflito armado e razoavelmente de acordo com as circunstâncias.

A BBC disse entender o relatório da organização, mas afirmou que vai analisar os detalhes da versão completa do documento. "A morte de Ahmed Omed realça os grandes perigos que enfrentam os jornalistas que arriscam a vida para fornecer informações vitais de todo o mundo. É essencial que os jornalistas recebam a melhor proteção possível enquanto trabalham em situações perigosas para que o mundo possa ouvir suas histórias", disse o diretor da BBC Global News, Peter Horrocks.

* Com BBC e Reuters

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