ONU propõe Oriente Médio livre de armas nucleares

Conferência sobre Tratado de Não-Proliferação Nuclear prevê região desarmada e encontro, em 2012, com participação de Israel e Irã

iG São Paulo |

A 8.ª Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) chegou nesta sexta-feira a um acordo - o primeiro em dez anos - que acelera o desarmamento das potências nucleares e abre caminho para a criação de uma zona livre de armas atômicas no Oriente Médio.

O documento adotado por consenso põe fim a um mês de intensas negociações e supõe um passo adiante, depois do fracasso da conferência anterior, realizada em 2005.

A conferência adotou um documento final que prevê quatro planos de ação sobre cada um dos três pilares do TNP - desarmamento, controle dos programas nucleares nacionais para garantir que sejam pacíficos e utilização pacífica da energia atômica - para um Oriente Médio sem armas atômicas.

No que diz respeito a esse ponto, o documento planeja a organização, em 2012, de uma conferência internacional com a participação de "todos os Estados da região, com o objetivo de chegar ao estabelecimento" da zona sem armas nucleares. Ao evento será requerida a presença de Israel, que nunca esclareceu oficialmente se tem armas nucleares, e do Irã, que se suspeita querer desenvolver armas atômicas. 

Os Estados Unidos comprometem-se a trabalhar para que essa conferência seja um sucesso, declarou nesta sexta-feira a delegada americana Ellen Tauscher.

O Secretário-Geral da ONU "aprova particularmente o acordo sobre um processo que leve à implementação completa da resolução de 1995, que estabelece uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio", disse Ban Ki-moon em um comunicado.

É a primeira vez, em dez anos, que a conferência quinquenal de acompanhamento do TNP chega a um acordo para revisar o tratado que, desde que entrou em vigor, em 1970, serviu como diretriz mundial para limitar a proliferação de armas nucleares.

O texto também afirma que "é importante que Israel se junte ao tratado e ponha todas as suas instalações nucleares sob as garantias globais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".

Segundo especialistas, Israel possui várias armas atômicas, apesar de o Estado hebreu não admitir seu arsenal nuclear. O Irã desenvolve um programa nuclear civil que, segundo as potências ocidentais, é utilizado como fachada para desenvolver a bomba atômica.

*Com AFP e EFE

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