Washington enfrenta situação inusitada: uma invasão de veados

Autoridades decidem usar atiradores de elite para reduzir rebanho que incomoda moradores e ameaça parques

The New York Times |

Os intrusos na rua de Linda e Eric White em Washington, capital dos Estados Unidos, estão cada vez mais ousados, passeando calmamente de quintal para quintal em plena luz do dia. Quando surpreendidos, eles atravessam a barricada armada no final da rua e desaparecem no Parque de Rock Creek.

Os intrusos - veados de cauda branca que se aventuram a sair do parque para passear pelo bairro - não são apenas um incômodo, mas também colocam o parque em perigo. O Serviço dos Parques Nacionais está prestes a tomar uma medida que tem alegrado alguns moradores e entristecido outros: diminuir o rebanho com o uso de atiradores de elite.

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Fotos mostram cerca no quintal de Linda White contra veados e o dano feito por eles (23/02)

Linda Branco, 62, encara o problema de maneira racional. Veados agressivos a forçaram a erguer barricadas e gastar milhares de dólares construindo um novo jardim. "Acho que agora é o momento deles lidarem de uma maneira eficaz com os veados", disse ela. "Não me importo com a maneira como eles farão isso. Que façam o que for preciso."

Nick Bartolomeo, o chefe dos guardas florestais, disse que a ideia de reduzir o rebanho teve pouco a ver com os encontros dos veados com os habitantes da região. Pelo contrário, a preocupação é com a ameaça que os animais representam para o meio ambiente.

Devido a rápida pastagem dos animais, a floresta já não consegue se regenerar. Quando o vento e o tempo derrubarem as enormes árvores de carvalho, nogueiras e choupos que compõem a flora do parque, não haverá outras mais jovens para substituí-las. E, ao mesmo tempo, os veados não perturbam muitas das espécies invasivas do parque.

O objetivo é reduzir a manada para 60 a 80 veados ao longo de três anos. A carne será doada para centros de alimentos da região.

Grupos de preservação de animais selvagens se uniram em oposição ao projeto. John Hadidian, cientista sênior para a vida selvagem da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos e um ex-funcionário do parque, disse que o plano parte de um princípio pouco ético para lidar com o assunto.

Ele disse estar desapontado com o fato de os guardas florestais não terem levado mais a sério o controle reprodutivo da espécie, o que poderia ter evitado a medida drástica de execução dos animais. "Estávamos esperançosos de que eles pensariam em uma solução um pouco mais inovadora ", disse.

Bartolomeo disse que o abate era a única estratégia viável e que todas as precauções de segurança serão devidamente tomadas. Eles demoraram muito tempo para chegar a concluir um plano, pois o parque tem que seguir protocolos. O desenvolvimento de uma solução baseada em fatos científicos pode demorar anos e a esta altura da situação qualquer outra ideia poderia atrasar gravemente a resolução.

"Não podemos mais nos dar o luxo de perder tempo", disse ele.

Por Theo Emery

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