Mesmo depois de 100 anos, desastre do Titanic continua intrigante

Peça de teatro, exposições, viagens e conferências fazem um dos naufrágios mais famosos da História atrair centenas de curiosos

The New York Times |

Molly Brown, sobrevivente do famoso Titanic, está prestes a zarpar novamente, mas desta vez através da interpretação apaixonada de Janet Kalstrom, uma especialista em tecnologia da informação e fã do navio em tempo integral.

Kalstrom, 61 anos, interpreta Brown em vestido de época na nova exposição sobre o Titanic no Museu Casa Molly Brown em Denver, onde ela viveu. Em abril, Kalstrom embarcará de Southampton, Inglaterra, em uma nova encenação do cruzeiro fatal do Titanic.

Howard Owens, um contador de Riverside, na Califórnia, que admite ter fascínio pelo Titanic desde sua infância, também vai participar. Ele estará no cruzeiro ao lado de outros 1,3 mil passageiros, conferencistas convidados e autores.

Na noite de 14 de abril, o navio de cruzeiro Balmoral chegará ao local onde o Titanic afundou há 100 anos. Uma homenagem será realizada no local às 2h20 do dia 15 de abril de 1912, horário em que o Titanic afundou.

Owens, 56 anos, e sua esposa, Terry, gastaram quase US$ 11 mil cada na travessia de 12 noites, que também irá exigir que ele feche seu escritório no pior momento possível.

"Um cliente me perguntou: 'Por que você vai fechar no meio da época de fazer os impostos de renda?' Eu disse: 'Eu não escolhi o dia que o Titanic afundou'", disse Owens. "Eu tenho de estar lá. Eu só tenho de."

Viagem: Turistas pagam caro para ver destroços

Uma onda de memórias e mitos sobre o Titanic deve varrer o mundo e fazer muito dinheiro. E pode ser que ninguém consiga escapar.

"Eu vou para outra cidade, e vejo que uma exposição sobre o Titanic ainda está lá", disse Kevin Sandler, professor da Universidade do Arizona que tem escrito sobre o culto ao Titanic. "Elas duram anos".

História

Mas a impressão duradoura do Titanic não é apenas a história que nunca fica velha para muitas pessoas, com a sua ressonância histórica de arrogância e tecnologia - o navio supostamente perfeito que afundou após bater em um iceberg em sua primeira viagem - ou a sensação de desgraça que assombra o naufrágio.

Alguns especialistas em desastres afirmam que o conto do Titanic em muitos aspectos insinuou-se em como verdadeiros desastres são percebidos e até mesmo como eles acontecem. Através de uma combinação de forças culturais na era da informação, segundo eles - os filmes, as centenas de livros sobre o assunto - a perda do Titanic e como as pessoas responderam a ela tornaram-se um filtro para a percepção dos desastres em geral.

Enquanto Kalstrom estará a bordo do navio para celebrar a sobrevivência de Molly, a bisneta de Brown, Helen Benziger, estará em terra firme.

"Eu fiz uma viagem de navio", disse ela. Isso foi há alguns anos, quando foi convidada a falar, a bordo do Queen Elizabeth 2, navegando da Inglaterra para Nova York. "Marés altas o caminho todo. Nunca mais, obrigada", ela concluiu.

*Por Kirk Johnson

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