Acidente aumenta dúvidas sobre segurança dos transportes na China

Colisão de trens que deixou 43 mortos esquenta debate sobre se país sacrificou segurança na corrida pela modernização

The New York Times |

Um acidente de trem no leste da China esquentou o debate nacional sobre se a corrida pela modernização sacrificou a segurança do país.

Até a manhã desta segunda-feira, 43 corpos tinham sido retirados dos destroços perto de Wenzhou, onde um trem de alta velocidade que havia perdido conexão elétrica foi atingido por outro trem na noite de sábado, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. Seis vagões descarrilaram e quatro caíram de um viaduto no acidente, que também deixou 210 feridos.

AP
Trem passa por viaduto de onde vagões caíram após acidente no sábado na região de Wenzhou, na China

De acordo com relatos oficiais aprovados pelo governo, as autoridades agiram rapidamente para assumir o comando da situação. Na manhã de domingo, o presidente Hu Jintao declarou que os esforços de resgate eram prioridade. O governo também anunciou que três oficiais do Ministério do Transporte Ferroviário haviam sido demitidos .

Mas narrativas diferentes começaram a surgir no próprio domingo. No site Sina Weibo, publicações afirmavam que o ministro do Transporte Ferroviário, Sheng Guangzu, que assumiu este ano quando seu antecessor foi demitido por corrupção, tinha sido encurralado por jornalistas irritados após negar pedidos de entrevista.

Outros relatos no site disseram que o ministério estava enterrando os trens destruídos perto do local, o que levou críticos a dizer que os destroços precisam ser cuidadosamente examinados para que as causas do acidente possam ser determinadas.

O ministério disse que os trens continham importante tecnologia "nacional" que poderia ser roubada e, portanto, deveriam ser enterrados – mesmo que empresas estrangeiras reclamem há muito tempo que a tecnologia foi, na verdade, roubada pelos chineses.

Mais confusão surgiu em relação aos esforços para culpar a natureza pelo acidente. A Xinhua informou no sábado que o primeiro trem ficou sem energia quando foi atingido por um raio, e emissoras de televisão nacional transmitiram imagens de tempestades na região.

Mas mais tarde a agência disse que o trem estava funcionando normalmente quando foi atingido pelo outro trem. Também não foi explicado por que a sinalização não parou o segundo trem antes de ele atingir o primeiro.

A colisão foi um dos muitos grandes acidentes recentes de transporte público na China.

Na manhã de sexta-feira, um ônibus superlotado pegou fogo e deixou 41 mortos na província de Henan.

No início deste mês, uma escada rolante em uma nova estação de metrô em Pequim desabou, deixando um morto e 28 feridos. Só na semana passada, quatro pontes desabaram em cidades chinesas.

Por Ian Johnson

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