Imigrantes ignoram barreira legal para encontro em cerca na fronteira dos EUA

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Separados por cerca, pais e jovens migrantes se abraçam em apoio a projeto de reforma migratória no Congresso

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Três jovens imigrantes tiveram um reencontro jubilante e doloroso com seus pais, que foram deportados dos EUA, em 11 de junho. Sob um sol forte sem limites, as barras de ferros da cerca que separa Nogales, Arizona, de uma cidade no México, se interpuseram no meio dos abraços.

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Renata Teodoro, 25 (D), segura mão de sua mãe, Gorete Borges Teodoro, que foi deportada há seis anos dos EUA, através de cerca de fronteira em Nogales, Arizona (11/6)

Os jovens fazem parte de um movimento de imigrantes que cresceram nos EUA sem status legal, chamado de Sonhadores. Seus pais vieram do Brasil, Colômbia, Guatemala e outros locais para o lado mexicano da cerca, para ver pessoalmente os filhos, muitas vezes após anos de distanciamento.

O encontro foi usado para dar dramaticidade a uma luta política e pessoal e para demonstrar apoio a um projeto de lei que está no Congresso para reformar o sistema de imigração. Horas antes do encontro, o presidente Barack Obama pediu ao Congresso para aprovar rapidamente o texto.

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A jovem da Nigéria Tolu Olubunmi apresentou Obama antes de seu discurso. E, durante seu pronunciamento, o presidente citou um outro jovem imigrante, o argentino Diego Sanchez. Evocando as narrativas de jovens que se encontram como ilegais depois de terem vindo ao país ainda crianças, Obama disse que os contrários à lei não têm razão para querer impedir o caminho dessas pessoas à cidadania.

“Esse não é um debate abstrato. É sobre jovens incríveis, que se veem como americanos, que fizeram tudo certo, mas ainda assim se encontram impedidos de realizar o sonho americano”, disse Obama.

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Os organizadores do encontro em Nogales disseram ter sido coincidência a reunião ter sido marcada para o mesmo dia do discurso, já que arrecadavam dinheiro para as passagens aéreas há dois meses. “Isso não foi por causa do presidente”, afirmou Carolina Canizales, uma das líderes do movimento Juntos Nós Sonhamos.

Depois de deportados, os pais não podem voltar ao país. Os filhos não têm o status legal que os permita sair e voltar para os EUA. Separados pelas grades, pais e filhos se abraçaram, choraram e riram.

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Carlos Padilla abraça sua mãe, Josefina Hernandez Madrigal, que voltou ao México em 2008, através da cerca de fronteira em Nogales, Arizona (11/6)

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A mãe de Renata Teodoro, 25 anos, entregou fotos da família, uma camiseta de um time de futebol do Rio de Janeiro e uma carta da irmã mais nova, que voltou ao Brasil quando a mãe foi deportada há seis anos. Renata, que veio de Boston encontrar a mãe, mostrou um cartão de suspensão de deportação sob um programa que Obama iniciou no ano passado. É seu primeiro documento oficial de imigração.

A mãe, Gorete Borges Teodoro, de 52 anos, foi dominada pelo emoção, mas logo se recompôs e passou para a adotar o tradicional tom maternal. “Rezo para que vocês consigam os papéis e façam faculdade”, disse.

Renata chegou aos EUA quando tinha 6 anos e se recusou a voltar com a mãe para o Brasil para poder terminar um curso na Universidade de Massachusetts. Gorete recebeu ordem para ser deportada depois que a petição de asilo político do marido foi negada.

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O projeto de lei em tramitação traria significantes vantagens para jovens imigrantes como os que foram a Nogales, mas não para seus pais. Está prevista uma medida segundo a qual jovens imigrantes teriam seu caminho aberto para a cidadania americana em um processo mais rápido, de cinco anos.

Para Renata, o reencontro com a mãe foi frustrante. “Quando você tem conquistas, graduou-se no ensino médio, dá certa raiva ter de mostrar isso por uma grade. Na verdade, dá muito raiva”, disse.

*Por Rebekah Zemansky e Julia Preston

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