Cemitério de mármore vira local para eventos em Nova York

Antes abandonado, espaço no bairro de East Village agora é procurado para casamentos, festas, sessões de foto e filmagens

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Este é um espaço para eventos bastante original: meio hectare de tranquilidade entre a Segunda Avenida e a Bowery, no bairro de East Village, em Nova York, com um gramado verde impecável, árvores de hibisco floridas e um lindo pessegueiro.

Este foi também o local de quatro casamentos, um evento de moda de Stella McCartney, uma sessão de fotos da Vogue, festas de aniversário e recitais de balé, assim como cenário para filmes e programas de televisão. A verdadeira identidade deste local só pode ser desvendada por meio das placas com nomes de antigas famílias de Nova York, que sugerem seu propósito um pouco mais solene: um cemitério.

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Evento da estilista Stella McCartney é realizado no Cemitério de Mármore de Nova York (11/06)

Abaixo do gramado encontram-se corredores e 156 câmaras, cada uma com dimensões de 2 por 4 metros, feitas de mármore Tuckahoe - daí o nome Cemitério de Mármore de Nova York.

"Elas se parecem com catacumbas", disse Lang Gresham, paisagista que é jardineiro do cemitério.

Seu celular tocou durante uma de suas rondas. "A HBO quer filmar a série ‘Boardwalk Empire’ aqui", exclamou.

Os administradores do cemitério e os descendentes de algumas das pessoas enterradas nas câmaras - o último enterro foi realizado em 1937 - têm permitido que eventos sejam realizados no local para ajudar a pagar os reparos e restaurações necessárias.

O objetivo, disse Caroline S. DuBois, uma das curadoras, é "manter o cemitério sem muito gasto". "Tudo acabou se transformando em um negócio", disse. A taxa para um casamento é de US$ 2,5 mil, explicou.

No entanto, nem todos são bem-vindos. Lang disse que uma empresa de tequila queria realizar uma festa promocional no local, mas não obteve permissão.

No dia 6 de julho, Justine Delaney andou pela Segunda Avenida, entre as Ruas 2 e 3, passou por dois conjuntos de portões de ferro e atravessou um corredor para o cemitério. Lá, ela e o doutor Eamonn Vitt se casaram diante de 150 convidados.

"Foi ótimo, foi realmente perfeito", disse Justine, 35, uma DJ. "Muitos de nossos amigos acharam uma escolha muito apropriada para nós. Acho que eles conhecem nosso senso de humor."

O cemitério fica localizado no extremo norte de Nova York e foi estabelecido em 1830. Muitas vezes ele é confundido com o Cemitério de Mármore da cidade de Nova York na Rua Primeira, que foi criado em 1831. Aos poucos, no entanto, as ruas da cidade foram crescendo e se espalhando ao redor do cemitério, que acabou ficando cercado e escondido.

No final do século 19, à medida que o bairro de East Village se tornava uma região não tão desejável da cidade para se morar, algumas das famílias mudaram os locais de repouso de seus parentes para locais que estavam mais na moda - Green-Wood, no Brooklyn, Woodlawn, no Bronx ou Sleepy Hollow, no condado de Westchester.

No final do século 20 o cemitério estava quase abandonado. As paredes estavam desmoronando e moradores de rua dormiam no local.

"O lugar estava caindo aos pedaços aos poucos", disse Peter Van C. Luquer, que foi administrador do local entre 1977 a 2010. "Tínhamos um zelador que trabalhava para uma empresa de demolição na cidade e cortava a grama de vez em quando."

Eventualmente, é claro, o East Village se tornou um lugar desejável novamente e o cemitério começou a sofrer um longo e lento processo de revitalização. Ainda há muita coisa para ser feita.

Anne Brown, outra curadora e historiadora do cemitério, disse: "Custaria bem mais de US$1 milhão só para reconstruir o muro.”

Apesar da idade do cemitério, segundo ela, os seus esforços de arrecadação de fundos, muitos deles dirigidos a descendentes, são relativamente novos: "Quando as pessoas recebem uma carta minha, normalmente não costumam correr e pegar seus talões de cheque por alguém que morreu há 150 anos atrás".

A reputação que o bairro costumava ter não desapareceu totalmente. Lang disse que algumas vezes encontra agulhas hipodérmicas na grama. A amoreira perto do muro em ruínas hoje é "árvore de cueca", pois os moradores de um abrigo próximo "jogam suas roupas íntimas, preservativos, entre outras coisas" no cemitério. Brown disse que a instalação de redes no local havia diminuído esse problema. A oeste, os vizinhos do cemitério são Kenton Hall, que abriga um programa residencial de metadona, e o Hotel Bowery.

Por John Harney

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