Divórcio aumenta 'fardo econômico' de pais italianos

Em meio à crise, pais solteiros e homens divorciados enfrentam dificuldades para bancar suas despesas e as dos filhos

The New York Times |

O sofrimento provocado pela crise econômica europeia está sendo fortemente sentido por um novo grupo de pessoas: homens separados e divorciados que acabam cheios de dívidas ou até mesmo nas ruas enquanto lutam para manter a si mesmos e pagar a pensão alimentícia.

É difícil medir ao certo quantos pais se encontram em tais dificuldades, mas trata-se de uma parcela significativa e crescente da população, principalmente no sul da Europa, segundo pesquisadores, assistentes sociais e estatísticas do governo.

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Franco, que empobreceu depois do divórcio no ano passado, disse ter dormindo em uma caica em frente à Bolsa de Milão (10/04)

Na Itália, onde o fenômeno é possivelmente mais agudo, ele reflete uma combinação de forças à medida que a crise econômica que já dura quatro anos entra em confronto com a desgastada rede de segurança social e a lenta implosão da família.

Para alguns pais separados, o fardo se torna insuportável quando se veem desempregados e incapazes de bancar seus filhos, que diante de perspectivas econômicas sombrias permanecem dependentes do apoio familiar na vida adulta.

"O apoio que as famílias italianas costumavam oferecer", que essencialmente substituía o Estado, "não é algo que pode ser menosprezado", disse Alberto Bruno, comissário provincial da Cruz Vermelha Italiana em Milão.

Os divórcios têm aumentado constantemente neste país tradicionalmente católico desde que foi legalizado, em 1970.

Em 1995, 158 de cada mil casamentos terminaram em separação e 80 em divórcio. Em 2009, o último ano para o qual há estatísticas disponíveis, os números chegaram a 297 separações e 181 divórcios para cada mil casamentos, segundo a Istat, a agência nacional de estatísticas.

Mesmo que uma lei de 2006 tenha feito da guarda conjunta dos filhos a norma quando os pais se separam, os tribunais italianos continuam a fazer das mães as principais responsáveis enquanto os pais suportam o peso financeiro da separação.

Críticos dizem que a lei, como é aplicada, favorece as mulheres, cuja participação na força de trabalho cresceu 46,5% no mesmo período.

Quando Umberto Vaghi, um gerente de vendas em Milão que se divorciou no ano passado, se separou de sua esposa em 2004, por exemplo, ele foi condenado a pagar 2 mil euros, ou cerca de US$ 2.440 por mês para a manutenção de sua casa e sustento de seus filhos, na época com 10 e 8 anos. Vaghi ganhava 2,2 mil euros por mês, ou cerca de US$ 2.680.

"A sociedade está mudando e com ela os papéis do pai como provedor e da mãe como dona de casa", disse ele. "A legislação deve levar isso em consideração."

Por Elisabetta Povoledo

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