Noruega pede desculpas por envolvimento no Holocausto

País se retratou formalmente pela primeira vez por conta da deportação e morte de judeus durante ocupação nazista na Segunda Guerra

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Primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, participa de cerimônia em Oslo por vítimas do massacre da Noruega (21/8/2011)
A Noruega pediu desculpas pela primeira vez nesta sexta-feira pela cumplicidade do país na deportação e mortes de judeus durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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Noruegueses executaram prisões; noruegueses dirigiram caminhões e aconteceu na Noruega", disse o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg. "Hoje, sinto que é apropriado expressar nossas desculpas mais profundas de que isso tenha ocorrido em solo norueguês."

"É o momento de admitirmos que policiais, funcionários públicos e outros noruegueses participaram na prisão e na deportação de judeus", afirmou ele em um discurso para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Vidkun Quisling, líder do país durante a ocupação cujo nome se tornou sinônimo de traidor, ordenou o registro de 2,1 mil judeus na Noruega em 1942. Mais de um terço foi deportado aos campos da morte, enquanto outros fugiram para a Suécia.

"Lamento dizer que as ideias que conduziram ao Holocausto ainda estão muito vivas hoje, 70 anos depois", afirmou Stoltenberg. "Ao redor do mundo vemos que indivíduos e grupos estão disseminando a intolerância e o medo."

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Em 1998, a Noruega reconheceu o papel do país no Holocausto e pagou cerca de US$ 60 milhões a judeus noruegueses e a organizações judaicas em compensação pela propriedade apreendida.

A indenização não chegou a ser um pedido de desculpas, mas estabeleceu as bases para o discurso desta sexta-feira, disse o historiador Bjarte Bruland. "Até então, os noruegueses consideravam apenas os alemães responsáveis", afirmou à Reuters Bruland, curador chefe do Museu Judaico de Oslo.

"A Noruega agiu de forma similar à França de Vichy, pois eles implementaram suas próprias leis antijudaicas, usaram força própria, confiscaram propriedade e discriminaram os judeus antes que os alemães o exigissem", afirmou Paul Levine, professor de História da Universidade Uppsala, na Suécia. "A Noruega não tinha de fazer o que fez."

Levine disse que as desculpas da Noruega vieram "inapropriadamente" tarde. O então presidente francês Jacques Chirac (1995-2007) pediu desculpas em 1995 pela cumplicidade de seu país com o Holocausto.

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