Milhares enfrentam frio para protestar contra Putin em Moscou

Apesar de termômetros marcarem -20ºC, multidão marcha na capital russa para denunciar fraudes na eleição parlamentar

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de manifestantes enfrentaram temperaturas abaixo de zero neste domingo em Moscou para protestar contra o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e supostas fraudes nas eleições parlamentares de dezembro. Os termômetros da cidade chegaram a marcar -20ºC.

O protesto, que reuniu cerca de 120 mil manifestantes, de acordo com organizadores, foi a terceira megamanifestação desde que o partido de Putin, Rússia Unida, venceu a votação. Um dos objetivos é manter vivo o movimento de oposição ao governo um mês antes da eleição presidencial, na qual Putin será candidato.

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Manifestantes enfrentam o frio durante protesto contra Putin em Moscou

Neste sábado, os manifestantes usavam laços brancos que se tornaram símbolo do movimento e cantavam palavras de ordem como “Rússia sem Putin!”. A polícia acompanhou o protesto sem interferir. “Somos tantos que não há como prenderem todos nós”, afirmou Alexander Zelensky, que estava no local.

Ele e a mulher, Alyona Karimova, estavam se preparando para mudar para o Canadá, mas decidiram ficar na Rússia para participar dos protestos. “Será um processo longo, mas acreditamos que ele vai levar o país à democracia e a eleições livres”, disse Alyona.

Outro protestos contra Putin aconteceu em São Petersburgo e reuniu cerca de 5 mil manifestantes, enquanto manifestações menores foram realizadas em várias outras cidades do país.

Em Moscou, partidários do premiê fizeram um ato de apoio que reuniu cerca de 20 mil. A maior parte dos presentes era professores, funcionários municipais e empregados de empresas estatais que ofereceram ônibus para levá-los ao local da manifestação.

O Rússia Unida conquistou a maioria dos votos na acirrada eleição acirrada em dezembro, apesar de supostas irregularidades para alavancar o número de votos, denunciadas por organizações russas e países internacionais. Dezenas de milhares saíram às ruas para protestar desde então, reivindicando a saída de Putin do poder.

Putin ocupou o cargo de presidente de 2000 a 2008. Por não poder mais ocupar o cargo, devido a um limite constitucional, ele passou para o cargo de premiê, escolhendo Dmitri Medvedev como seu sucessor na presidência.

Após a eleição de março, os dois devem trocar de lugar: Putin deve ser eleito presidente e Medvedev deve se tornar primeiro-ministro.

Como uma mudança constitucional estendeu o mandato presidencial russo de quatro para seis anos, Putin tem a chance de ficar até 12 anos do poder caso vença a eleição de 2012 e busque a reeleição.

Com AP

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