Mario Monti é o favorito para assumir governo italiano

Atenuando crise política, partido de Berlusconi abandona insistência por eleições antecipadas; novo premiê pode assumir até 2ª

Reuters |

AFP
Monti é economista, conhecido por ser um negociador puro
O nome do ex-comissário europeu Mario Monti surgiu nesta quinta-feira como favorito para substituir Silvio Berlusconi no cargo de primeiro-ministro da Itália, refletindo a pressa dos políticos para aplacar uma crise da dívida que ameaça toda a zona do euro.

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Há várias semanas os mercados já falam em Monti como o nome mais indicado para comandar um governo de unidade nacional, que seria responsável por impor medidas de austeridade urgentes. Fontes políticas disseram que Monti pode ser nomeado entre domingo e segunda para o lugar de Berlusconi, e logo deverá montar um gabinete de unidade nacional, formado por tecnocratas e por políticos de vários partidos.

Berlusconi anteriormente havia dito que via a antecipação das eleições como a única opção realista assim que renunciar ao cargo , o que ele disse que pretende fazer tão logo um pacote de reformas econômicas urgentes for aprovado pelo Parlamento. Espera-se que o Senado aprove as medidas na sexta, enquanto a Câmara deve fazê-lo entre sábado e domingo.

Atenuando a crise política, o PDL parece ter abandonado sua insistência de eleições antecipadas, e disse cogitar o apoio a um gabinete comandado por Monti. "O PDL não pode simplesmente seguir o grito do núcleo duro por eleições. Há o interesse nacional, que vem antes de tudo", disse o chanceler Franco Frattini ao jornal Corriere della Sera.

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, nomeou na quarta-feira Monti como senador vitalício, num sinal de que deve convidar o acadêmico para tentar formar nos próximos dias um governo de base ampla.

A Itália passa por um teste econômico. Na quarta-feira, os juros para esse tipo de papel se aproximaram dos 7% , limite que especialistas consideram perigoso, que já levou Grécia, Portugal e Irlanda a pedirem socorro internacional.

Num sinal da tensão, o geralmente sóbrio diário econômico Il Sole 24 Ore publicou na sua manchete, em letras garrafais, a frase "tenham pressa", num apelo à classe política.

Na quarta-feira, Napolitano tentava desesperadamente acalmar os mercados, oferecendo garantias de que Berlusconi cumprirá sua promessa de deixar o cargo assim que o Parlamento aprovar as reformas econômicas. Mas a pressão dos mercados continuou, e os juros sobre os títulos de dez anos chegaram a cerca de 7,3%. Nesta quinta-feira, os mercados reagiram bem ao nome de Monti .

Monti, de 68 anos, há muito tempo é citado como possível líder num gabinete pluripartidário de emergência - uma fórmula política que já funcionou em crises anteriores.

Respeitado economista, ele atualmente é reitor da prestigiosa universidade Bocconi, de Milão. Monti é visto como um negociador duro, que se habituou a enfrentar interesses corporativos poderosos na época em que foi comissário europeu na área de Concorrência. 

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