De acordo com especialistas, não é possível garantir a segurança de mergulhadores que procuram desaparecidos em naufrágio

Autoridades italianas encerraram nesta terça-feira as operações de busca na parte submersa do navio Costa Concordia, que naufragou perto da ilha de Giglio, na região da Toscana, no dia 13 de janeiro.

De acordo com um porta-voz dos bombeiros, a decisão foi tomada porque não é possível garantir a segurança dos mergulhadores. “Suspendemos as buscas submarinas definitivamente”, afirmou.

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Bombeiro é levado de helicóptero para o Costa Concordia, que naufragou na  Itália
AP
Bombeiro é levado de helicóptero para o Costa Concordia, que naufragou na Itália

O navio, que levava 4.229 a bordo, bateu em uma rocha e tombou, deixando ao menos 17 mortos . Pelo menos 15 ainda estão desaparecidos.

No domingo, o responsável pela Defesa Civil italiana, Franco Gabrielli, estimou que serão necessários de sete a dez meses para retirar o Costa Concordia do local onde naufragou. A empresa holandesa Smit é a encarregada de extrair o combustível do transatlântico e remover a embarcação.

Gabrielli explicou que levará dois meses para avaliar o que fazer com o cruzeiro, se será possível desmanchá-lo em frente à ilha de Giglio ou rebocá-lo inteiro para local mais seguro. Depois dessa análise, trabalha-se com a estimativa de sete a dez meses para a operação de retirada.

Indenizações

Na semana passada, a empresa Costa Cruzeiros, dona do Costa Concordia, ofereceu pagar 11 mil euros (cerca de R$ 25,3 mil) para cada passageiro como compensação por perda de bagagem e traumas psicológicos.

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O anúncio sobre o valor das compensações foi feito após um dia de negociações entre a Costa Cruzeiros e representantes de 3.206 indivíduos de 61 países, que não ficaram feridos nem tiveram parentes mortos no naufrágio.

A companhia também afirmou que vai reembolsar a passagem, gastos médicos e demais despesas de todos os passageiros, estimadas em 3 mil euros (R$ 6,9 mil).

Tanto os passageiros quanto os tripulantes do navio estão livres para processar a empresa se não estiverem satisfeitos com o acordo. Um grupo de consumidores que participou das negociações estima que 85% vão aderir. "É um acordo histórico, que põe o ponto final em um episódio dramático. Uma ação resolvida fora dos tribunais e que dá um ressarcimento também pelo estresse sofrido e por férias completamente estragadas", explicou em uma nota o presidente da Associação de Defesa e a Orientação dos Consumidores (ADOC), Carlo Pileri.

Pileri afirmou que foram levados em consideração o código de turismo italiano e outras normativas internacionais, já que no cruzeiro naufragado havia passageiros de várias nacionalidades.

Mas outra associação de consumidores italiana, a Codacons, fez um apelo para que os passageiros não aceitem esta oferta, considerada uma "esmola". Em seu site, a Codacons anunciou que processará a Costa Cruzeiros em Miami, com a ajuda de dois escritórios americanos, para pedir uma indenização de US$ 160 mil (R$ 280 mil).

"Trata-se de um acidente de gravidade inédita e todos os que estavam a bordo do navio têm o direito não apenas de serem ressarcidos pelos danos materiais ou físicos, mas também os morais, como o medo e o terror que sofreram", explicou o presidente de Codacons, Carlo Rienzi.

Com BBC, Ansa, AP e EFE

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