Governo iranino volta atrás na ameaça de fechar estreito de Ormuz enquanto França defende novas sanções

O chefe do Exército iraniano advertiu nesta terça-feira que o país vai agir se um porta-aviões dos Estados Unidos retornar ao Golfo Pérsico. O porta-aviões deixou a região por causa de manobras navais iranianas, encerradas na segunda-feira após dez dias.

“O Irã não vai repetir sua advertência. Recomendo e enfatizo que o porta-aviões americano não retorne ao Golfo Pérsico”, disse o comandante Ataollah Salehi, segundo a agência oficial Irna. Salehi não citou o nome do porta-aviões nem deu detalhes sobre o tipo de medidas que o Irã poderia adotar se ele retornar à região.

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Imagem divulgada por agência iraniana mostra míssil Ghader de longo alcance que teria sido lançado durante manobras navais (02/01)
AP
Imagem divulgada por agência iraniana mostra míssil Ghader de longo alcance que teria sido lançado durante manobras navais (02/01)

As manobras navais foram a mais recente demonstração de força do governo iraniano em meio à crescente pressão internacional contra o país por causa de seu programa nuclear. Durante os exercícios militares, o Irã anunciou ter testado com sucesso um míssil de cruzeiro terra-mar de longo alcance. O míssil Ghader teria um alcance de 200 km, suficiente para atingir alvos no Golfo.

A Rússia reagiu à notícia com ceticismo. "O Irã não possui a tecnologia para criar mísseis balísticos de médio ou longo alcance intercontinentais", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, Vadim Koval, à agência de notícias Interfax. “E não os terá durante muito tempo”.

Na segunda-feira, o governo iraniano voltou atrás na ameaça de interromper o tráfego no estreito de Ormuz , que havia sido feita na última semana. Um alto oficial da Marinha, almirante Mahmoud Mousavi, afirmou que o país não pretende fechar a importante rota marítima do petróleo que vai do Golfo Pérsico para os países ocidentais.

A ameaça à rota marítima foi feita após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos ao sistema financeiro do Irã na última semana. O governo disse que impediria a passagem de navios petroleiros pelo estreito caso os países ocidentais impusesse sanções à exportação do petróleo iraniano.

França defende sanções

Nesta terça-feira, o chanceler francês, Alain Juppé, afirmou que a França está convencida de que o Irã está desenvolvendo armas nucleares e deve enfrentar novas sanções da União Europeia. Teerã insiste que seu programa nuclear atende somente a propósitos pacíficos e que precisa de tecnologia nuclear para suprir sua demanda interna de eletricidade.

“O Irã está buscando desenvolver armas nucleares, não tenho dúvidas quanto a isso”, afirmou Juppé em entrevista ao canal I-Tele. “O último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica é explícito quanto a isso”, acrescentou, em referência a um documento divulgado no ano passado.

Juppé disse esperar que a União Europeia tome uma atitude similar aos Estados Unidos e aprove novas sanções contra o Irã até o fim do mês. Segundo ele, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, já propôs congelar os bens do Banco Central iraniano e determinar um embargo nas exportações de petróleo.

Também nesta terça-feira, o Irã pediu à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, que apresentasse uma proposta de data e lugar para o reinício das negociações nucleares entre Teerã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França, China e Alemanha), interrompidas a um ano.

“Quando a data e o local forem anunciados, a equipe de negociadores apresentará seu ponto de vista e teremos um acordo final entre as duas partes”, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores iranianos, Ramin Mehmanparast.

O porta-voz de Ashton, Michael Mann, respondeu dizendo que antes de qualquer coisa o Irã deve responder a uma carta enviada pela UE em outubro. “A bola está no campo iraniano”, afirmou.

Com AP, BBC, AFP, Reuters e EFE

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