Internet será arma crucial na campanha presidencial dos EUA

Estratégia usada por Obama em 2008 deve ser imitada por republicano neste ano; equipe de democrata promete plano online ainda melhor

Carolina Cimenti, de Nova York |

O uso da internet e das redes sociais foi a grande sacada da campanha de Barack Obama em 2008. Os analistas políticos americanos gostam de dizer que Obama revolucionou o uso da internet para fins políticos, assim como John Kennedy (1961-1963) revolucionou o uso da televisão. Uma mudança histórica que vem influenciando várias campanhas eleitorais desde então.

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AP
Obama digita observado pelo cofundador e presidente-executivo do Twitter, Jack Dorsey, durante evento na Casa Branca em 06/07/2011
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A fundadora do site de notícias e opinião The Huffington Post, Arianna Huffington , disse, dias após a eleição de Obama, que “se não fosse pela internet, Barack Obama não seria presidente e, se não fosse pela internet, Barack Obama não teria nem mesmo sido nomeado candidato democrata”.

O investimento de Obama na internet começou antes mesmo das primárias, quando ele fez duas contratações fundamentais: o diretor online Joe Rospars, que já havia trabalhado na campanha do democrata Howard Dean em 2004 (uma campanha marcada pelo forte uso da internet), e o cofundador do Facebook, Chris Hughes. Os dois tinham como função desenvolver a rede social de Obama e o site da campanha.

Como resultado, a estratégia de Obama na internet envolveu:

- o constante pedido de pequenas doações para um grande número de eleitores, como Dean havia feito em 2004. Até o fim da campanha, o democrata conseguiu arrecadar mais de US$ 650 milhões, sendo que mais da metade desse valor foi doado por meio da internet e em quantias inferiores a US$ 200 cada;

- a equipe de TV produziu vídeos específicos para o YouTube, usando espaço publicitário gratuito. No total, os vídeos feitos para a internet foram assistidos por mais de 14 milhões de horas, um tempo que teria custado quase US$ 50 milhões para comprar em canais de televisão normais;

- foram lançados também sites e grupos de discussão online para rebater críticas, esvaziar rumores e divulgar datas importantes da campanha, com emails e imagens prontas para serem copiadas e enviadas por email por qualquer um;

- voluntários usaram a área de discussão do site de Obama para organizar mais de 150 mil eventos ligados à campanha e mais de 1 mil telefonemas, nos quais pediam doações para o então candidato. Usuários do site criaram mais de 35 mil grupos divididos por afinidades, local, interesses culturais. No fim da campanha, o site contava com mais de 1,5 milhão de contas de usuários (uma base de dados de dar inveja a qualquer candidato atualmente);

- a equipe da campanha também passou a ouvir solicitações e sugestões dos eleitores diretamente por meio das redes sociais. Essa comunicação aberta resultou em diversas inovações, como, por exemplo, a criação de aplicativos para iPhone e iTouch que ajudavam os eleitores de Obama a se encontrar por meio de seus telefones em qualquer lugar do país.

De acordo com Joe Trippi, um estrategista político que trabalhou em diversas campanhas nos últimos 30 anos, o fato mais irônico de tudo isso é que foi John McCain, o republicano derrotado por Obama, o primeiro político americano a se dar conta da importância da internet para a política. “Ele foi o primeiro político do mundo a criar banners para a internet com a sua campanha em 1999, enquanto concorria contra George W. Bush nas primárias. Oito anos mais tarde, ele foi esmagado pela estratégia de Obama na internet”, disse Trippi em email ao iG .

Segundo Arianna, o efeito mais avassalador da revolução da internet nas campanhas é o fato de terem desaparecido as conversas em "off", jargão usado no jornalismo para se referir a informações em que a fonte não é identificada.

Antigamente, era normal um candidato organizar um evento com um grupo específico para levantar fundos para a campanha e fazer um discurso totalmente a favor dos interesses desses interlocutores, mesmo que isso contradissesse um discurso “público” anterior. Atualmente isso não existe mais. Os discursos e as conversas são todas públicas porque qualquer um pode filmar ou gravar o que é dito. “Há mais transparência”, concordou Trippi.

AFP
Homem fotografa republicano Rick Santorum durante encontro em Iowa em 29 de dezembro. Tecnologia atual faz com que todos os eventos políticos atuais sejam públicos
Enquanto os pré-candidatos republicanos brigam entre si nas primárias e prévias para decidir quem será o candidato que representará o partido nas eleições presidenciais de 6 de novembro, a equipe da campanha para a reeleição de Obama trabalha.

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“Assim que passarem as primárias (republicanas), teremos uma estratégia e um plano online muito mais extenso e profundo que em 2008”, disse o vice-diretor de operações da campanha, Marlon Marshall, ao jornal Financial Times. “Comparativamente com o que tivemos em 2008, em 2012 será muito melhor”, prometeu.

Atualmente, a página Obama no Facebook tem quase 25 milhões de seguidores e pelo menos duas atualizações por dia. A página da primeira-dama Michelle Obama tem 6 milhões de seguidores. O candidato republicano mais popular no Facebook é Mitt Romney , com pouco mais de 1 milhão de seguidores, seguido por Ron Paul, com 600 mil, Michele Bachmann , com 450 mil, e Newt Gingrich , com cerca de 200 mil seguidores.

Tudo indica que estratégia usada por Obama em 2008 será imitada e, quem sabe, até mesmo aprofundada pelo candidato republicano em 2012. Mas até que as campanhas oficiais comecem, em abril, todas as estratégias estão guardadas em segredo.

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