Entenda como funciona o Colégio Eleitoral americano

Diferentemente do Brasil, nos EUA não importa total da votação nacional, mas alcançar 270 votos em órgão que determina vencedor de forma indireta

Carolina Cimenti, de Nova York |

Getty Images
Congresso dos EUA realiza sessão conjunta em Washington para contar votos do Colégio Eleitoral e certificar Barack Obama como vencedor nas eleições de 2008 (08/01/2009)
A extensa campanha presidencial dos EUA, que começa na terça-feira 3 de janeiro com o caucus em Iowa e termina com a eleição em 6 de novembro, não tem o objetivo de atrair para os candidatos democrata e republicano apenas uma grande votação popular. A meta principal é alcançar, por meio desses votos populares, o maior número possível de delegados no Colégio Eleitoral, órgão de 538 membros que verdadeiramente define quem liderará a maior potência do mundo.

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Diferentemente do Brasil, nos EUA não importa o total de votos conquistados por determinado candidato nacionalmente. Para ele, o crucial é vencer em uma quantidade de Estados que lhe garantam os 270 votos para ser eleito no Colégio Eleitoral. Por causa disso, um candidato pode receber o maior número de votos no país inteiro, mas ainda assim perder as eleições.

Situações como essa ocorreram três vezes na história americana: em 1876, em 1888 e em 2000, quando o democrata Al Gore teve mais votos diretos, mas menos votos no Colégio Eleitoral que o republicano George W. Bush (2001-2009), que acabou sendo eleito presidente.

O número de votos a que cada Estado americano tem direito é determinado pelo tamanho de sua população e pelo número de eleitores. O Estado da Califórnia, o mais populoso, tem 55. O Texas, 38. Nova York e Flórida, 29 cada um, e assim por diante. Cada Estado tem no mínimo 3 representantes.

Isso significa que alguns Estados são mais cruciais que outros, sendo possível vencer a eleição ganhando em somente 11 dos 50 Estados americanos: Califórnia, Texas, Nova York, Flórida, Illinois, Pensilvânia, Ohio, Michigan, Geórgia, Carolina do Norte e Nova Jersey, cuja soma de votos garantiria o total necessário de 270. Veja mapa abaixo:

Com exceção de Nebraska e Maine, vigora em todos os Estados americanos o sistema "o ganhador leva tudo", em que o candidato com maior número de votos conquista todos os delegados do Estado. Essa regra acaba fazendo com que os candidatos invistam mais tempo e dinheiro em Estados em que seus respectivos partidos são tradicionalmente favoritos.

Por exemplo, em eleições recentes a Califórnia e Nova York demonstraram que tendem a votar mais nos democratas, enquanto o Texas normalmente elege republicanos. É mais vantajoso para um democrata garantir sua vitória nos dois primeiro Estados, portanto, do que investir muito e acabar perdendo, mesmo que seja por um voto, no Texas.

© AP
Al Gore perdeu para George W. Bush apesar de ter conquistado a maioria dos votos nas eleições presidenciais de 2000 (foto de 02/07/2010)
Em Nebrasca, que conta com 5 votos no Colégio Eleitoral, existem três distritos eleitorais. O candidato mais votado em cada um leva um voto, enquanto o mais votado no total leva os dois votos finais. Com direito a quatro votos, o Estado do Maine adota a mesma distruibuição em relação a seus dois distritos eleitorais.

Eleição dos delegados

Os representantes do Colégio Eleitoral são nomeados meses antes das eleições, durante as primárias ou os cáucuses, votações que determinam quem será o candidato de cada partido. Eles normalmente são ligados aos republicanos ou democratas e são indicados pela liderança partidária para assumir esse papel.

Ao fim da eleição, eles escreverão o nome do vencedor no número correspondente de cédulas a que cada Estado tem direito. Nos dias seguintes, esses votos serão enviados ao Senado americano, onde serão contados para que o anúncio oficial do vencedor da disputa presidencial seja feito em 17 de dezembro.

Após a controvertida eleição de Bush em 2000, foi iniciada uma forte campanha para que o Colégio Eleitoral fosse abolido, e os votos passassem a ser diretos nos EUA. Em 2001, o Instituto de Pesquisa Gallup afirmou que mais de 60% da população gostaria que a Constituição fosse modificada com esse fim.

Os críticos do Colégio Eleitoral dizem que o sistema é arcaico e precisa ser modernizado para corresponder mais fielmente ao desejo dos eleitores. Seus defensores, porém, insistem que os Estados pequenos poderão perder importância na corrida eleitoral caso o voto seja direto. Afinal, a importância dos eleitores das grandes cidades cresceria, enquanto a campanha eleitoral nas pequenas cidades e no meio rural seria praticamente abandonada, assim como os investimentos estatais durante todo o mandato do presidente.

A maior desvantagem da eleição indireta, porém, é em relação aos partidos menores. Eles nunca terão chances de crescer e ganhar mais eleitores enquanto o vencedor de cada Estado ganhar todos os votos do colégio eleitoral. É exatamente por isso que os únicos partidos que monopolizam a política americana são o Democrata e o Republicano. É quase impossível para um terceiro partido entrar na corrida.

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