Coreia do Norte realiza funeral de Kim Jong-il

Com grande procissão em Pyongyang, regime comunista inicia hoje dois dias de serviços funerais para líder morto no dia 17

iG São Paulo |

Com uma grande procissão na capital, Pyongyang, a Coreia do Norte começou nesta quarta-feira dois dias de serviços funerais para o líder Kim Jong-il , morto no dia 17 de um ataque cardíaco aos 69 anos, segundo a versão oficial. Ele comandava o país desde a morte, em 1994, do pai, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte comunista.

Assista: Vídeo mostra primeiro dia de funeral de Kim Jong-il

AP
Reprodução de vídeo mostra retrato enorme de líder norte-coreano, Kim Jong-il, sendo carregado durante seu cortejo fúnebre em Pyongyang, Coreia do Norte
Imagens da estatal KCTV mostraram dezenas de milhares de soldados com suas cabeças curvadas enquanto um retrato gigante de Kim era carregado lentamente pelas ruas. Seu sucessor e terceiro filho, Kim Jong-un , caminhou ao lado do carro fúnebre, mostraram as imagens. Ele é o terceiro nome da única dinastia comunista do mundo.

Com lamentos, choros e demonstrações de dor, milhares de norte norte-coreanos se reuniram ao longo das principais vias sob intensa neve para acompanhar a passagem do cortejo fúnebre. Pouco mais de duas horas após partir do Palácio Memorial de Kumsusan, a procissão chegou à praça Kim Il-sung, onde uma multidão esperava para dar o último adeus ao líder.

O cortejo partiu do palácio, onde era realizado o velório do líder , às 14h (horário local). No interminável desfile realizado diante do corpo do ex-ditador no local, era possível ver grupos de mulheres em trajes militares chorando copiosamente.

Nos corredores do palácio, fileiras de soldados esperavam para entrar na sala onde estava o corpo, que foi exibido durante nove dias em Kumsuman, no mesmo local onde se encontra o mausoléu com o corpo de seu pai.

Após a partida do palácio, o cortejou percorreu os primeiros metros muito lentamente, sempre com Kim Jong-un e um grupo de militares e oficiais caminhando ao lado do carro com o féretro. Envolto em uma bandeira do Partido dos Trabalhadores, o caixão estava sobre uma cama de crisântemos brancos espalhados no teto do veículo. No veículo detrás, havia uma enorme imagem do líder vestido em seu tradicional traje militar.

Kim Jong-il "era o pai do vento que sopra agora em Pyongyang, e o perdemos", disse um dos locutores da rede de televisão durante o evento, enquanto ao fundo era possível escutar os choros e os gritos de alguns cidadãos. "Comandante, não se vá", pedia aos gritos diante das câmaras uma camponesa. "Toda a cidade está sofrendo. É difícil aceitar essa realidade", acrescentou o apresentador.

Após percorrer por três horas a capital do país, o cortejo fúnebre retornou a Kumsusan, sendo dada como encerrada a cerimônia desta quarta-feira. Ao retornar para a praça do palácio, a guarda de honra desfilou e uma orquestra militar interpretou o hino nacional.

Embora os meios de comunicação da Coreia do Norte não tenham dados detalhes sobre como serão as homenagens fúnebres a Kim Jong-il , especula-se que os rituais serão parecidos aos realizados para homenagear seu pai.

Da mesma forma que ocorreu em 1994, no funeral de Kim Il-sung, o cortejo desta quarta-feira percorreu as principais ruas da capital, mas dessa vez com temperaturas que rondavam zero grau. Na quinta-feira, está prevista uma homenagem em todo país. A população manterá três minutos de silêncio e todos os trens e navios da Coreia do Note dispararão suas sirenes ao mesmo tempo, segundo a agência de notícias KCNA.

Opositores norte-coreanos aproveitaram o dia do funeral para jogar panfletos no país a partir da Coreia do Sul para convocar uma insurreição contra a dinastia dos Kim. Cinquenta refugiados utilizaram balões para enviar 200 mil panfletos em um protesto contra o regime de Pyongyang organizado em Paju, cidade sul-coreana perto da fronteira com o Norte.

*Com EFE, AFP e BBC

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