Os jornais italianos Corriere della Serra e Il Tirreno afirmaram nesta segunda-feira que o capitão do navio Costa Concordia, que tombou após colidir com uma rocha na costa da Itália na sexta-feira, fez uma manobra arriscada para se aproximar da ilha de Giglio, no intuito de prestar uma homenagem a colegas seus.
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O capitão do Costa Concordia, Francesco Schettino (D), é preso pela polícia italiana in Grosseto em 14/01
Equipes de regate continuaram suas buscas por sobreviventes nesta segunda-feira, apesar de o trabalho ter sido suspenso por três horas porque o mau tempo fez a embarcação se mover. Autoridades disseram que interromperão as buscas durante a noite.
No início da noite, autoridades da guarda costeira italiana elevaram o número de desaparecidos do navio Costa Concordia para 29. Marco Brusco, chefe da guarda costeira, disse que 25 passageiros e quatro tripulantes estão desaparecidos há três dias, depois que o navio bateu contra rochas na costa da Toscana e tombou.
Mais cedo, o número de desaparecidos era 16. Brusco não explicou o por que do aumento, mas indicou que 10 alemães estão entre os 29 desaparecidos.
A manobra arriscada e não autorizada feita pelo capitão do navio seria, segundo a imprensa italiana, um tributo a Mario Palombo, uma lenda entre os comandantes da Costa Cruzeiros, e uma homenagem ao único nativo de Giglio a bordo, o chefe dos camareiros Antonello Tievoli.
De acordo com a publicação, na sexta-feira, o capitão Schettino e seus assistentes chamaram Tievoli para uma das pontes. "Antonello, venha ver. Estamos bem em cima de Giglio", eles lhe teriam dito. Tievoli, então, teria alertado aos companheiros que o navio estava "muito perto da costa", mas já era tarde demais.
Nesta segunda-feira, o chefe-executivo da Costa Cruzeiros, Luigi Foschi, afirmou que o capitão da embarcação fez um desvio de curso “não aprovado e não autorizado”. “A empresa apoiará o capitão e dará toda a assistência necessária, mas precisamos reconhecer os fatos e não podemos negar que houve erro humano”, disse.
Segundo ele, os navios da Costa têm rotas programadas e alarmes que soam quando saem de curso. “A rota foi programada corretamente. O fato de a embarcação ter saído de curso se deve exclusivamente a uma manobra não aprovada e não autorizada feita pelo comandante”, afirmou.
Foschi disse que o navio é inspecionado regularmente e a última verificação ocorreu em novembro. Emocionado e combatendo as lágrimas, o presidente pediu desculpas pelo acidente.
Schettino é suspeito de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e nega todas as acusações. Ele está sendo questionado pela polícia e alega que o sistema de navegação não mostrava obstáculos no local do acidente.
Schettino negou as acusações de que teria deixado a embarcação sem prestar auxílio aos passageiros e afirmou que só deixou o navio após terminar o processo de retirada dos ocupantes. Em uma entrevista transmitida pela TV italiana, ele foi questionado se seguiu a máxima de que "o capitão é o último a deixar o barco". "Fomos os últimos a deixar o navio", respondeu.
O capitão afirmou também que, de acordo com as informações que tinha no momento do acidente, as rochas que provocaram a ruptura do casco do navio não foram detectadas pelo sistema de navegação automática da embarcação.
Segundo ele, as cartas náuticas não teriam indicado a presença de rochas no local. "Não deveríamos ter tido esse impacto", afirmou. “Pelas informações que tinha, estávamos a mais ou menos a 300 metros das rochas.”
Amigos próximos de Tievoli ouvidos pelo jornal italiano, o chefe dos camareiros sente-se culpado pelo naufrágio do navio, que deixou seis mortos até o momento. Ele foi interrogado por autoridades da guarda costeira em nome do Ministério Público, encarregado do inquérito.
O jornal Il Tirreno afirmou também que às 21h08 uma mensagem postada no Facebook por Patrizia Tievoli, 52 anos, irmã de Antonello, pode ser uma evidência que a homenagem tenha sido realmente a razão para o navio passar tão perto da costa de Giglio.
"Em breve passará muito perto o navio Costa Concordia. Um cumprimento ao meu irmão que em Savona, finalmente, desembarcará para uns dias de férias." Depois de alguns minutos, a manobra ocorreu.
Prejuízo
A empresa Carnival Corp., dona do navio de cruzeiro Costa Concordia que naufragou, disse nesta segunda-feira que deve ter um prejuízo em torno de US$ 90 milhões só pela não utilização da embarcação nos próximos meses. A Carnival Corp. é a empresa controladora da Costa Cruzeiros.
"A embarcação deve ficar fora de serviço pelo restante do atual ano fiscal, se não mais", disse a empresa em comunicado. "Para o ano fiscal que termina em 30 de novembro, o impacto para os lucros de 2012 em decorrência da perda do uso é previsto em aproximadamente US$ 85 a US$ 95 milhões"
A empresa disse que o seguro da embarcação deve cobrir cerca de US$ 30 milhões. "A essa altura, nossa prioridade é a segurança dos nossos passageiros e tripulantes", disse Mickey Arison, presidente e executivo-chefe da Carnival Corporation.
"Estamos profundamente entristecidos por esse trágico evento, e nossos corações estão com todos os afetados pelo naufrágio do Costa Concordia, e especialmente com os familiares e entes queridos dos que perderam suas vidas’, acrescentou.
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