Brasileiro morto na Rússia sonhava em ajudar as pessoas, diz irmão

Henrique Vasques queria trabalhar no resgaste quando voltasse de Kursk, onde estudava medicina, para poder salvar vidas

Bruna Carvalho, iG São Paulo |

Reprodução/Facebook
Henrique Vasques em foto reproduzida de sua página no Facebook
Antes de ir para a Rússia estudar medicina, Henrique Vasques, 21 anos, disse à sua mãe: "Quero trabalhar por um tempo no resgate quando voltar." Segundo Victor, um de seus irmãos, ao explicar para ela as razões de querer salvar vidas dessa forma mesmo depois de tornar-se neurocirurgião, Henrique afirmou: "Mãe, é só por um tempinho. Só pela vibração de ajudar as pessoas."

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Ao lembrar do irmão caçula, morto na Rússia em 2 de janeiro, o designer Victor Vasques, 25 anos, o caracterizou como "a alegria da casa e a simpatia em pessoa". "Eu, ele e nossos dois irmãos dormíamos no mesmo quarto, e era sempre ele que iniciava uma brincadeira." Henrique morreu quando o gelo se rompeu ao patinar com um amigo sobre um lago congelado na cidade de Kursk, onde morava. O amigo sobreviveu com escoriações leves.

A família, que mora em uma casa alugada, luta para arrecadar os US$ 6 mil (cerca de R$ 11 mil) dos serviços funerários e da repatriação para o Brasil. Sexta-feira de manhã é o prazo para enviar o dinheiro, para que o corpo possa ser transferido de Kursk para Moscou, via Emirates, no sábado, com a previsão de chegar ao Brasil na segunda-feira.Quem quiser ajudar, pode contatar Victor pelo email contato@comlimao.com.

A facilidade em se relacionar com as pessoas era tamanha que Victor conta que Henrique, que já arranhava um pouco do idioma local com apenas três meses de estada no país, passou o Natal em Kursk na casa de um russo com amigos estrangeiros e brasileiros. "Ele estava bem feliz lá. Isso a gente pode falar", contou o irmão.

Assim como muitos jovens brasileiros, Henrique foi estudar medicina na Rússia após ter conseguido uma bolsa arcando apenas com o custo da passagem. Mas medicina, que ele cursava na Escola Estadual Médica de Kursk desde outubro de 2011, nem sempre esteve nos planos do rapaz.

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Antes de tentar estudar medicina no país, ele fazia faculdade de Engenharia Aeroespacial na Universidade Federal do ABC, enquanto se preparava no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) para a carreira militar que gostaria de retomar posteriormente. Todos os dias, Henrique ia do Tatuapé, na Zona Leste, onde sua família mora, até Santana, na Zona Norte, onde está situado o CPOR. À noite, viajava até a universidade em Santo André, na região do ABC paulista.

"Ele era superdedicado. Quando gostava de uma coisa, ia até o final", disse Victor. Ao fazer uma iniciação científica com ênfase em neurocirurgia, percebeu que sua vocação não era engenharia. E, então, resolveu estudar medicina.

Apesar da distância, Henrique mantinha contato com a família frequentemente. "No dia do acidente, ele me mandou uma mensagem de bom dia. Trinta minutos depois, aconteceu (o acidente). Nós só fomos informados seis horas depois", lembrou Victor.

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