Berlusconi promete renunciar após aprovação de pacote de austeridade

Premiê italiano tomou decisão após reunião com o presidente Giorgio Napolitano

iG São Paulo |

O premiê italiano, Silvio Berlusconi, prometeu nesta terça-feira que renunciará assim que as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia forem aprovadas. A votação do pacote está prevista para semana que vem.

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AP
Berlusconi acena aos jornalistas após deixar o palácio presidencial em Roma, onde se reuniu com Giorgio Napolitano

A decisão foi tomada após uma reunião de uma hora com o presidente Giorgio Napolitano, que aconteceu logo após o Orçamento de 2010 ter sido aprovado por 308 votos, oito a menos do que a maioria absoluta de 316, em uma votação que contou com 321 abstenções. A perda da maioria pôs a estabilidade do governo em dúvida, aumentando a pressão sobre Berlusconi.

Segundo o comunicado da presidência, Berlusconi teria dito que tem consciência das implicações da votação desta terça e expressou preocupação com a necessidade de dar respostas aos parceiros europeus. Logo após a votação, o ministro da Defesa Ignazio La Russa afirmou que, independentemente do resultado, os números teriam de ser levados para o chefe de Estado do país.

Após a divulgação do comunicado da presidência, Berlusconi confirmou sua decisão e disse que renuncia pelo bem do país. Segundo a AP, ele afirmou que preferiria antecipar as eleições, mas essa decisão cabe ao presidente italiano. Berlusconi admitiu que perdeu a maioria do Parlamento durante a votação desta terça e que "coisas como quem lidera ou não lidera o governo" são menos importante do que fazer "o que é certo para o país".

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Reflexos da votação

Depois da votação, Pier Luigi Bersani, líder do opositor Partido Democrático, fez um apelo pessoal pela renúncia de Berlusconi: "Peço que o senhor finalmente aceite a situação: entregue seu pedido de renúncia e deixe que o presidente encontre uma solução que permita a nossa nação seguir adiante. Faremos nossa parte."

"Temos um problema de credibilidade com esse governo. Esse governo não é capaz de gerenciar a situação e enfrentá-la. Esse déficit de credibilidade é fundado nos números", afirmou Bersani.

Berlusconil, então, foi diretamente verificar a lista de deputados e leu os nomes dos 11 parlamentares que não haviam votado com ele (cinco do grupo misto, cinco do Partido Povo da Liberdade - PDL - e um que se absteve). "Eles me traíram, mas aonde querem ir?", indagou Berlusconi a um grupo de deputados de seu partido (PDL) no plenário.

Em uma imagem divulgada pelos meios de comunicação italianos foi possível ver um texto manuscrito de Berlusconi no qual há várias anotações do governante separadas por hífens. Durante a votação, Berlusconi escreveu "tome nota" e, entre parênteses, "apresente a demissão". Segundo o jornal Corriere della Sera, essas duas anotações específicas se referem ao pronunciamento feito por Bersani, do PD, logo após a votação, na qual pediu a renúncia do premiê.

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Na primeira anotação, o primeiro-ministro aponta "308 (8 traidores)", enquanto mais abaixo se lê a frase "revés político". No final do texto de Berlusconi, aparece escrito "presidente da República" e "uma solução".

Pressão

Horas antes da votação, Bossi , aliado mais próximo de Berlusconi, havia pedido que ele cedesse à intensa pressão política e dos mercados e renunciasse ao cargo. Bossi sugeriu que o deputado Angelino Alfano, secretário-geral do governista Partido da Liberdade, de centro-direita, assuma o cargo de primeiro-ministro.

Muitos analistas veem o atual governo demasiadamente enfraquecido para impor os cortes de gastos necessários para conter o déficit público e o aumento da dívida. Apesar de ter um déficit público relativamente baixo, de 3,7% do PIB, a Itália causa preocupações entre os investidores, com uma combinação de baixo índice de crescimento e uma dívida de 1,9 trilhão de euros.

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Na segunda-feira, as principais bolsas europeias subiram em meio à expectativa de uma saída de Berlusconi, mas voltaram para o vermelho após ele ter negado sua renúncia em sua página no Facebook. “Os rumores de minha renúncia são infundados", disse o premiê na segunda.

No sábado, milhares de italianos participaram de uma manifestação em Roma convocada pelo Partido Democrata (PD) para pedir a renúncia do premiê.

Com EFE, AFP, Reuters

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