Beduínos sequestram trabalhadores chineses no Sinai

Sequestradores exigem libertação de parentes detidos entre 2004 e 2006 em troca dos 25 operários chineses

iG São Paulo |

Beduínos egípcios da região do Sinai sequestraram nesta terça-feira 25 operários chineses de uma fábrica de cimento, para exigir a libertação de seus parentes detidos em atentados da península entre 2004 e 2006.

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"Nós não vamos libertar os chineses até que nossa exigência pela libertação desses filhos do Sinai seja cumprida", disse um dos beduínos, que pediu anonimato.

Os cidadãos, técnicos e engenheiros chineses, foram sequestrados quando seguiam para a fábrica onde trabalham, de propriedade militar na área de Lehfen. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, eles estão mantidos reféns em uma tenda perto de uma estrada bloqueada pelos beduínos para pressionar por sua exigência.

Os manifestantes exigem a libertação de cinco beduínos detidos em conexão com um ataque no resort turístico de Taba, na costa do Mar Vermelho, em 2004, no qual 31 foram mortos.

Eles afirmam que o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o poder no ano passado , quando uma revolta popular derrubou o presidente Hosni Mubarak , prometeu por diversas vezes libertar os beduínos.

Autoridades da área de segurança estavam negociando a libertação dos operários chineses, disse uma fonte da segurança.

Os principais resorts do Mar Vermelho, de Sharm el-Sheikh, Taba e Dahab, testemunharam ataques sangrentos entre 2004 e 2006, que mataram de 130 pessoas.

Os ataques foram reivindicados por um grupo islâmico até então desconhecido, que se autodenomina Al-Tawhid Wal-Jihad, e desferiram um grande golpe na indústria do turismo, uma das maiores fontes de renda estrangeira no país.

Os moradores do Sinai dizem ser negligenciados por Cairo e atacam delegacias de polícia e bloqueiam o acesso a cidades, vilarejos e instalações industriais para mostrar seu descontentamento.

A isolada região desértica está mergulhando cada vez mais na criminalidade desde que o levante derrubou o presidente há um ano e desmantelou o aparato de segurança.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que vários imigrantes que tentam chegar a Israel, muitos deles somalis e etíopes, estão sendo mantidos reféns em troca de resgate na área.

O último sequestro acontece depois que 29 trabalhadores chineses foram feitos reféns por rebeldes no Estado fronteiriço de Kordofan do Sul, no Sudão, no sábado.

A China enviou uma equipe de autoridades ao Sudão e pediu que Cartum buscasse a libertação imediata dos trabalhadores.

Com Reuters e AFP

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