Em meio a protestos, Parlamento francês inicia debate sobre casamento gay

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Além de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, projeto de lei que divide sociedade francesa prevê adoções por casais gays

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O Parlamento francês inicia nesta terça-feira em clima de grande tensão os debates sobre o polêmico projeto de lei que concede aos homossexuais o direito de se casar e adotar crianças. A proposta divide a sociedade do país e vem sendo combatida pela Igreja Católica e pelos partidos de direita.

Sondagem: Pesquisa mostra que 63% dos franceses apoiam casamento entre homossexuais

Reuters
Manifestantes marcham pelas ruas de Paris em apoio ao projeto do governo que prevê a legalização do casamento gay e a adoção por casais do mesmo sexo (27/01)

Julho: França aprovará casamento gay e adoção por casais homossexuais em 2013

A esquerda, majoritária, e a oposição se preparam para um embate parlamentar que deverá durar duas semanas: mais de 5,3 mil emendas ao texto já foram apresentadas, quase todas por partidos de direta.

Há meses o assunto vem mobilizando defensores e opositores do "casamento para todos", como é chamado o projeto de lei. Inúmeras passeatas já foram organizadas no país nas últimas semanas.

Em meados de janeiro, opositores ao projeto conseguiram reunir 340 mil nas ruas de Paris, segundo a polícia, ou 1 milhão, de acordo com os organizadores. No domingo, houve o contra-ataque dos defensores da proposta, com uma manifestação que reuniu entre 125 mil e 400 mil pessoas em Paris a favor da reforma.

Mais importante reforma

O projeto, que autoriza o casamento entre homossexuais e a adoção por esses casais, é considerado por alguns a mais importante reforma da sociedade francesa desde a abolição da pena de morte na França, em 1981.

Dia 13: Centenas de milhares protestam contra o casamento gay na França

O governo afirma que sua determinação para garantir a aprovação do projeto - uma promessa de campanha do presidente François Hollande - é "total". Para a ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, que expõe na Câmara dos Deputados a visão do governo no início dos debates, a França "não deve discriminar seus cidadãos e todos devem ter os mesmos direitos".

"Vamos viver um momento histórico, ultrapassar a última barreira jurídica entre casais heterossexuais e homossexuais", diz o relator socialista do projeto de lei, Erwann Binet.

Referendo

O partido de direita UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, vai exigir a realização de um referendo para que a sociedade decida se aprova ou não o casamento entre gays. O ponto mais polêmico do projeto é a possibilidade de casais homossexuais adotarem crianças.

Pesquisas indicam que a maioria dos franceses (em torno de 60%, de acordo com diferentes institutos) é favorável ao casamento entre homossexuais. A aprovação ao casamento chegou a ser maior em pesquisas realizadas em anos anteriores.

Mas a maioria dos franceses (51%) é contra a adoção por casais do mesmo sexo, segundo uma pesquisa do instituto Ifop divulgada no sábado. Nesta terça-feira, faixas contra o casamento homossexual e a adoção de crianças por casais gays podem ser vistas na capital francesa e seus arredores.

Nos EUA: Obama declara apoio ao casamento gay

Opositores ao projeto também prometem fazer vigílias em frente ao Parlamento. Para garantir as chances de aprovação do texto, o governo retirou do projeto o ponto mais polêmico: a possibilidade de lésbicas recorrerem a tratamentos de procriação médica assistida para engravidar.

O governo optou por adiar o debate dessa questão e retomar o assunto em um futuro projeto de lei sobre temas ligados à família.

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