Furacão Sandy ‘congela’ campanha nos EUA e abre oportunidade para Obama

Com chegada de 'supertempestade', foco volta-se para a capacidade do atual presidente em liderar a nação durante momentos turbulentos

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Em meio ao clima de tensão na costa leste dos Estados Unidos com a proximidade do furacão Sandy , que deve atingir a região na noite desta segunda-feira, já se pode perceber os efeitos da tempestade também sobre a campanha eleitoral no país, a uma semana do dia em que os americanos elegerão seu presidente.

O governo declarou estado de emergência em oito Estados e os cuidados incluem a paralisação dos transportes públicos, escolas e o cancelamento de mais de 6.800 voos. Os meteorologistas, no entanto, não garantem se as medidas de precaução serão realmente necessárias ou apenas excesso de preocupação.

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Provável trajeto do furacão Sandy afetará estados-chave para as eleições dos EUA

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Em sua passagem pelo Haiti, Cuba e outras ilhas do Caribe, o Sandy deixou ao menos 67 mortos.

Nos EUA, um dos efeitos que já aparentes é o impacto do furacão sobre as estratégias do democrata Barack Obama, que quer manter-se na Casa Branca, e seu rival nas urnas, o republicano Mitt Romney.

Além das mudanças de agenda e cancelamento de compromissos importantes, o ciclone deve ofuscar Romney e colocar os holofotes sobre Obama, cuja capacidade de líder da nação será observada de perto pelos eleitores.

O democrata esteve na Flórida na noite de domingo, mas teve que cancelar um evento planejado para esta segunda-feira ao lado do ex-presidente Bill Clinton no Estado.

Ele deve retornar diretamente à Casa Branca para monitorar a trajetória do furacão Sandy, devido às "agravamento das condições meteorológicas na região de Washington". Pode ser que Obama simplesmente não queira ficar isolado no sul do país.

Mas há também a possibilidade de que ele tenha pensado ser inapropriado fazer um discurso de campanha, no qual provavelmente atacaria seu oponente, parecendo pouco animado na momento. É um sinal da crescente seriedade da ameaça trazida pelo fenômeno meteorológico.

No domingo, todos os planos do presidente foram alterados, primeiro com o cancelamento de eventos, depois com o retorno deles à agenda. Por fim, o cancelamento novamente.

AP
Presidente Barack Obama durante pronunciamento sobre a chegada do furacão Sandy

Ninguém quer saber se a tempestade vai criar um clima de caos ou uma catástrofe nacional de grandes proporções, mas seu impacto político já é fato.

Obama sob os holofotes

Por um lado o furacão Sandy congela a campanha, já que os candidatos não farão discursos. E mesmo que decidissem falar, a mídia não gastaria tempo repercutindo suas declarações.

Mas o fenômeno também volta as atenções para o presidente, que como líder da nação toma o papel central da situação. É uma plataforma bastante desigual e Mitt Romney pode ficar ofuscado enquanto o drama se desdobra.

Os holofotes estarão voltados para Obama. O presidente ganha a oportunidade de demonstrar sua força de liderança. Mas também ele se torna o número 1 como alvo caso a reação do governo seja lenta, inadequada, ou simplesmente, e perigosamente, se houver sofrimento que não possa ser remediado.

Todos nós estamos nervosos com essa tempestade. Todos nós esperamos que não haverá mortes. Mas para os dois homens mirando a Casa Branca, o ciclone pode representar a diferença entre a sobrevivência ou a extinção política.

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