Presidente iraniano fez discurso em reação à versão dos americanos de que teriam frustrado plano para assassinar embaixador

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reagiu neste domingo à versão do governo americano de que Teerã teria patrocinado um plano terrorista nos Estados Unidos e aproveitou para culpar Washington pelas frequentes crises bilaterais. "A culta nação iraniana não precisa articular planos de assassinato. Assassinato é coisa de vocês", exclamou Ahmadinejad, em discurso no Parlamento iraniano, cujas declarações foram divulgadas pela agência de notícias oficial Irna.

Irã afirma que EUA deveriam ter feito consulta antes de trazer o caso a público
Reuters
Irã afirma que EUA deveriam ter feito consulta antes de trazer o caso a público
A investida do líder responde às acusações dos EUA de que a República Islâmica estaria por trás de um plano para assassinar o embaixador saudita em Washington, Adel al-Jubeir. Ahmadinejad afirmou que os EUA buscam "criar uma nova crise a cada dia com o Irã, acusando o país de terrorismo". Para ele, as acusações americanas só pretendem frear o desenvolvimento do Irã.

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Os dois supostos conspiradores foram identificados como Manssor Arbabsiar e Gholam Shakuri, ambos iranianos. O primeiro também tinha nacionalidade americana e residia em Nova York, onde foi detido em 29 de setembro no aeroporto John F. Kennedy.

A agência antidrogas americana (DEA, na sigla em inglês) teve conhecimento do complô quando Arbabsiar entrou em contato em maio passado, no México, com um informante do organismo. Acreditando dialogar com um traficante ligado a uma organização criminosa mexicana, o iraniano teria buscado ajuda para assassinar o embaixador saudita.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã destacou, em comunicado, que as acusações dos EUA "não têm fundamento jurídico" e só buscam "exacerbar a tensão na região" do Oriente Médio e "enfraquecer a segurança internacional". "Anunciar unilateralmente acusações contra um residente ( iraniano ) nos Estados Unidos, sem fornecer documentos, e criar uma campanha midiática contra o Irã, não tem nenhum fundamento jurídico", acrescenta a nota.

Para o Irã, Washington deveria ter consultado Teerã sobre os suspeitos. "Mas o governo americano ignorou o pedido expresso da República Islâmica para que o fizesse, contra as convenções internacionais", ressalta o comunicado.

Após denunciar o suposto complô, os EUA impuseram nesta semana novas sanções a alguns iranianos relacionados à Força Al Quds - tropa de elite da Guarda Revolucionária da República Islâmica - e a uma companhia aérea privada iraniana acusada de dar-lhes apoio. Washington também advertiu que pretende isolar ainda mais o regime iraniano, já submetido a sanções internacionais pela ONU, além das dos EUA e da União Europeia, devido a seu programa nuclear e violações dos direitos humanos.

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