Durante visita à Venezuela, Ahmadinejad reúne-se com Chávez e defende objetivos pacíficos do plano nuclear iraniano

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu o programa nuclear de seu país durante visita à Venezuela nesta segunda-feira. Ao lado do líder venezuelano, Hugo Chávez, Ahmadinejad disse que as acusações sobre a suposta intenção do Irã de desenvolver armas atômicas são “dignas de riso”.

"Dizem que estamos fazendo bombas. Todos sabem que isso é uma piada, algo digno de riso", disse Ahmadinejad, durante assinatura de acordos com Chávez. "Só há uma verdade por trás disso: eles têm medo de nosso desenvolvimento, do nosso avanço.”

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Os presidentes do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e da Venezuela, Hugo Chávez, reúnem-se no Palácio de Miraflores, em Caracas
Reuters
Os presidentes do Irã, Mahmud Ahmadinejad, e da Venezuela, Hugo Chávez, reúnem-se no Palácio de Miraflores, em Caracas

Nesta segunda-feira, diplomatas e a Agência Internacional de Energia Atômica confirmaram um relatório de que o Irã começou a enriquecer urânio em um bunker subterrâneo na instalação de Fordo, perto da cidade sagrada xiita de Qom, uma medida que aumenta os temores entre as autoridades americanas e europeias sobre as ambições nucleares do Irã.

Ahmadinejad afirmou que Venezuela e Irã são os povos que resistem "à avareza dos prepotentes e arrogantes", em alusão ao governo dos Estados Unidos. "Eles não querem que nossa economia se desenvolva, não querem a eliminação da pobreza em nossos países, não querem nossa industrialização, nosso desenvolvimento", avaliou.

Ambos líderes brincaram com a ideia de que sua relação possa ser motivo de preocupação. Ahmadinejad disse que se estivessem construindo juntos qualquer coisa como uma bomba, "o combustível dessa bomba é o amor".

"Sempre estaremos juntos", disse Ahmadinejad por meio de um intérprete. Sorrindo enquanto colocava sua mão no braço de Chávez, o líder iraniano chamou o presidente venezuelano de "campeão no combate ao imperialismo".

"Eles nos apresentam como agressores", disse Chávez sobre as autoridades americanas enquanto recebia o presidente iraniano no palácio presidencial. "O Irã não invadiu ninguém", disse o líder venezuelano. "Quem lançou milhares e milhares de bombas...incluindo bombas nucleares?", indagou em referência aos EUA.

Os dois líderes se reuniram em Caracas na primeira fase de um giro por quatro países que também levará Ahmadinejad para a Nicarágua, Cuba e Equador.

O Brasil não está na agenda de visitas do iraniano. A assessoria de imprensa do Itamaraty afirmou que o governo brasileiro não foi procurado por Teerã para agendar a visita, mas que as relações entre os dois países seguem normais. Segundo a mídia estatal iraniana, o objetivo da viagem é "fortalecer os laços com os países latinos que mantêm um discurso hostil em relação aos EUA".

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A visita acontece depois de os EUA terem imposto sanções mais duras contra o Irã por seu programa atômico, que Washington acredita ter objetivos militares. Chávez e seus aliados defendem o Irã com o argumento de que o programa tem apenas propósitos pacíficos.

O Irã encontra-se cada vez mais sob uma pressão crescente no impasse sobre seu programa nuclear e, em resposta às últimas sanções americanas, ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz , uma importante rota marítima para os carregamentos de petróleo.

O confronto de longa data de Chávez com Washington também parece pronto para aumentar depois que o Departamento de Estado dos EUA anunciou, poucas horas antes da chegada de Ahmadinejad, que estava expulsando a cônsul-geral da Venezuela em Miami, Livia Acosta Noguera, por alegações de que ela discutiu um possível ciberataque contra o governo americano.

Com EFE, AP e AFP

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