Abbas encontra líderes em busca de apoio à campanha palestina na ONU

Líder tem reuniões com Sarkozy e Suleiman enquanto mediadores tentam dissuadir palestinos de tentar reconhecimento de Estado

iG São Paulo |

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, intensifica nesta terça-feira sua campanha diplomática pelo reconhecimento do Estado palestino pela Organização das Nações Unidas (ONU), um dia antes da abertura da Assembleia Geral da organização em Nova York.

Abbas terá reuniões com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Líbano, Michel Suleiman, entre outros, na tentativa de conseguir apoio à campanha antes de seu discurso na Assembleia Geral, marcado para sexta-feira.

Enquanto isso, representantes do Quarteto para o Oriente Médio – ONU, Estados Unidos, União Europeia e Rússia – planejam uma nova reunião para tentar formular uma estratégia capaz de dissuadir Abbas a ir em frente com o pedido de adesão à ONU.

Embora qualquer pedido feito pelo palestinos tenha de esperar semanas ou meses por qualquer ação da ONU, os mediadores do Quarteto tentam encontrar uma forma de levar palestinos e israelenses de volta às negociações.

Em setembro de 2010, Abbas anunciou que não voltaria à mesa de negociações se Israel não prosseguisse com o congelamento dos assentamentos e não aceitasse a criação do Estado palestino nas fronteiras anteriores à guerra de 1967. Durante esse último ano, de paralisia total do processo de paz com Israel, Abbas decidiu recorrer à ONU.

“Abbas diz a todos: 20 anos de negociações são mais do que suficientes”, afirmou seu assessor, Mohammed Ishtayeh. “O mundo deve intervir para acabar com a ocupação israelense (de territórios palestinos), já que os EUA não conseguem.”

O governo israelense, assim como os Estados Unidos, se opõem à iniciativa de Abbas , ao denunciar uma "iniciativa unilateral" por considerar que um Estado palestino não pode ser criado se não for com base em um acordo de paz com Israel. Os Estados Unidos já afirmaram reiteradas vezes que têm intenção de vetar a iniciativa , quando ela for apresentada ao Conselho de Segurança da ONU.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que ainda há tempo para buscar uma solução para a crise diplomática antes do discurso de Abbas. Para isso, segundo ela, autoridades dos EUA mantêm conversas com palestinos e israelenses.

Protesto em Ramallah

Uma poltrona gigante foi colocada nesta terça-feira em uma praça de Al Manara, em Ramallah, para pedir ao mundo que apoie a adesão do Estado palestino à ONU.

AP
Em Ramallah, palestinos aplaudem durante "inauguração" de uma cadeira que simboliza campanha de Abbas na ONU

"A poltrona simboliza o apoio do povo palestino à iniciativa do presidente Abbas para pedir a plena adesão à ONU, um direito que os palestinos merecem", declarou Ayman Shteih, funcionário da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), na inauguração da instalação.

Em cerimônia da qual participaram dezenas de pessoas, Shteih garantiu que o reconhecimento da Palestina como Estado pela comunidade internacional "é um sonho de todos os palestinos, que esperam vê-lo cumprido em breve".

A poltrona, de cor azul e branca, semelhante às poltronas dos representantes de cada país na Assembleia Geral da ONU em Nova York, tem seis metros e meio de altura e três e meio de largura e é de alumínio.

Líbia

Nesta terça-feira a ONU também discutirá o futuro da Líbia, tema principal de uma reunião de alto nível presidida pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, e da qual participarão, entre outros líderes, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O líder americano também terá um encontro bilateral com o líder do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios), Mustafa Abdul Jalil.

Obama também terá uma reunião com o presidente afegão, Hamid Karzai, com o primeiro-ministro turco, Recep Tayipp Erdogan, e com a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, com a qual presidirá um encontro de dezenas de países para lançar a Iniciativa para o Governo Aberto.

Essa iniciativa procura promover a transparência, a prestação de contas e a democracia entre os diferentes governos mundiais.

Com AP e EFE

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