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Esquema da Universidade de Medicina de Tóquio reduz ingresso na instituição e mantém nível de mulheres abaixo de 30%, com justificativa de que "abandonarão estudos e prática médica para cuidar de filhos"; leia mais

Universidade de Tóquio está sendo investigada sob suspeitas de burlar sistema acadêmico e reduzir notas de mulheres
Reprodução/Wikimedia Commons
Universidade de Tóquio está sendo investigada sob suspeitas de burlar sistema acadêmico e reduzir notas de mulheres

Universidade de medicina no Japão está sendo acusada de sabotar o sistema acadêmico e diminuir a nota de exames de admissão de mulheres. De acordo com informações divulgadas pelo canal New Asia , o esquema foi implantado na Universidade de Tóquio, com o intuito de reduzir o ingresso de candidatas e manter o nível de estudantes mulheres abaixo de 30%.

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Em entrevista ao jornal local Asahi Shimbun , fontes, que não quiseram se identificar, afirmaram que a universidade de Tóquio deu início ao sistema em 2010, período em que a taxa de mulheres entre os aprovados avançou para 40%.

Segundo os entrevistados, a partir de 2011, a instituição concretizou o esquema, com a justificativa de que “mulheres abandonam os estudos e a prática médica para cuidar dos filhos, e que, por isso, a medida era necessária, já que 'previne e resolve' a falta de profissionais na área”.

A imprensa japonesa expôs que o sistema era feito por meio de um coeficiente que diminuía automaticamente a nota de todas as mulheres envolvidas no processo seletivo da instituição, que é composto por duas fases.

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A primeira consiste em uma avaliação dissertativa, em que há a seleção de estudantes com as maiores notas. Já a segunda consiste em entrevista e na produção de um pequeno ensaio para a universidade.

Na seleção de fevereiro deste ano, mais de dois mil candidatos se inscreveram, sendo 39% mulheres. As candidatas foram 33% das selecionadas na primeira fase, porém, o percentual caiu para 18% entre os aprovados para as vagas.  Dos 171 calouros, 141 eram homens e apenas 30 mulheres.

Um funcionário do Ministério da Educação, que está acompanhando o caso, alegou que as universidades têm liberdade para aplicar cotas de gênero , desde que os estudantes sejam informados sobre o procedimento. Como a Universidade de Medicina não tornou o esquema público, a ação é considerada ilegal.

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Vale mencionar que a universidade de Tóquio já estava sendo acusada de ter favorecido o filho do ex-funcionário do alto escalão do Ministério da Educação, Futoshi Sano, a passar no processo seletivo em troca de tratamento preferencial em um programa de subsídios do governo. A polícia permanece investigando o caso e não tem atualizações a serem feitas sobre o ocorrido.