Madri dissolveu Parlamento catalão e destituiu Carles Puigdemont; nesta segunda, separatistas foram indiciados por 'rebelião' contra autoridades

Governo espanhol começa a exercer nesta segunda-feira o controle efetivo sobre a região da Catalunha
Twitter/Mariano Rajoy/Reprodução
Governo espanhol começa a exercer nesta segunda-feira o controle efetivo sobre a região da Catalunha

O governo espanhol começou, de fato, a exercer controle direto sobre a região autônoma da Catalunha nesta segunda-feira (30), primeiro dia útil após a destituição de todos os líderes catalães, na última sexta-feira (27).

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Além do agora ex-presidente regional, Carles Puigdemont, cerca de 150 funcionários terão que deixar os seus postos nos ministérios e no Parlamento da Catalunha a partir de hoje, segundo dados oficiais. 

Também nesta segunda, o procurador-geral do Estado espanhol, Juan Manuel Maza, pediu o indiciamento de Puigdemont e de seus ministros por "rebelião" e "sedição", ou seja, um ato rebelde contra uma autoridade.

E, mais uma vez, a queda do movimento separatista parece evidente. Isso porque a presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell, acatou a decisão do governo de Madri e informou, hoje, que a entidade "foi dissolvida".

Forcadell também não convocou a reunião de hoje e ainda informou que estão cancelados os encontros com a presidência da região.

Agravamento da crise

A crise catalã piorou, na última sexta-feira (27), quando o Parlamento catalão aprovou uma resolução e declarou sua independência da Espanha.

Pouco tempo depois, o Senado aprovou o pedido do governo Rajoy de ativar o artigo 155, que retirou temporariamente a autonomia da região, destituiu seus líderes, dissolveu o Parlamento e colocou um representante de Madri no comando da região.

No sábado, o governo anunciou que a vice-premier, Soraya Sáenz de Santamaria, seria a nova presidente regional até as eleições marcadas para o dia 21 de dezembro . Já os ministros espanhóis assumiriam também as mesmas pastas na região até o pleito.

Crise na Catalunha se agravou quando o Parlamento catalão aprovou uma resolução de independência da Espanha
Reprodução/Twitter
Crise na Catalunha se agravou quando o Parlamento catalão aprovou uma resolução de independência da Espanha

Mesmo com a intervenção, os líderes catalães não aceitaram a decisão e informaram que continuariam a fazer o processo de separação de Madri, com a convocação de eleições da "nova República".

Polícia nos gabinetes

Nesta segunda, o governo de Mariano Rajoy autorizou apenas que os ex-dirigentes da região fossem ao Parlamento para retirar seus pertences pessoais. Os demais, não puderam entrar.

Embora o ex-conselheiro Josep Rull – que era responsável pelo Território e Sustentabilidade – tenha chegado a postar uma foto nas redes sociais dizendo que estaria trabalhando normalmente hoje, ignorando as ordens de Madri, ele teve que deixar o local.

Isso porque, pouco tempo depois da publicação da foto, dois agentes dos Mossos d'Esquadra, a polícia local, foram ao seu gabinete e informaram que ele poderia ser preso por "usurpação das funções públicas".

Já sobre o ex-presidente da região, Carles Puigdmont , e seu então vice, Oriol Junqueras, não há informações. Testemunhas no Parlamento dizem que não viram nenhum dos dois no local nesta segunda. 

'Embaixador' em Bruxelas se demite

Em uma carta publicada no jornal catalão "Ara", o "embaixador" catalão na União Europeia, Amadeu Altafaj, anunciou sua demissão do cargo.

Segundo a carta, o político considera esse um "momento triste" para região e destacou que "muitos catalães se sentiram desiludidos com a União Europeia", que em nenhum momento apoiou a declaração de independência da região.

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"Quero dizer, porém, que a Europa é nossa, que a Europa também somos nós, os 7,5 milhões de catalães. E, por isso, devemos reivindicar com firmeza a Europa que queremos, uma Europa diferente na qual cidadãos e nações possam ser protagonistas, não atores em segundo plano", escreveu o Altafaj, representante da Catalunha.

* Com informações da Agência Ansa.

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