Mesmo sob ameaça de terrorismo, cerca de 45 milhões de eleitores devem participar do pleito; quatro candidatos estão entre os favoritos neste ano

Principais candidatos na França (sentido horário): Jean-Luc Mélenchon, François Fillon, Marine Le Pen e Emmanuel Macron
Reprodução/Facebook/montagem iG
Principais candidatos na França (sentido horário): Jean-Luc Mélenchon, François Fillon, Marine Le Pen e Emmanuel Macron

A população da França vai às urnas neste domingo (23) para participar do primeiro turno das eleições no país. Mesmo com a ameaça do terrorismo, cerca de 45 milhões de eleitores devem participar da escolha do próximo presidente.

As urnas ficarão abertas entre 8h (horário local) e 19h, com exceção das grandes cidades, como Paris, Lyon, Lille, Cannes, Nice e Marselha, onde o fechamento pode ser postergado para as 20h, quando devem sair as primeiras projeções. Os principais colégios eleitorais da França terão a segurança reforçada por conta da ameaça do terrorismo, ainda mais depois da prisão de dois suspeitos que estariam planejando atentados durante a votação e do ataque que matou um policial na avenida Champs-Élysées, na capital .

O clima no país beira o pânico coletivo, como ficou claro em um incidente ocorrido neste sábado (22) na estação Gare du Nord, também em Paris . Durante a tarde, um homem se aproximou de policiais com uma faca na mão e provocou desespero entre os passageiros, que largaram suas malas no chão e fugiram correndo.

Os agentes conseguiram conter o indivíduo, que alegava temer pela própria vida e não opôs resistência, mas ainda assim foi preciso chamar um esquadrão antibombas para analisar todas as bagagens abandonadas no chão.

 De acordo com informações publicadas pelo jornal " Le Parisien ", uma circular secreta dos serviços de inteligência define como "indispensável" a presença da polícia nos colégios eleitorais mais vulneráveis e cita uma "ameaça jihadista constante e substancial". Além disso, as forças de segurança ainda estão preocupadas com possíveis atos de violência após a divulgação dos resultados, principalmente se os candidatos Marine Le Pen, de extrema direita, e Jean-Luc Mélenchon, de extrema esquerda, avançarem ao segundo turno.

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Entretanto, o maior temor diz respeito à atuação dos chamados "lobos solitários", que fazem atentados de maneira quase rudimentar e poderiam mirar um dos milhares de locais de voto. As eleições também acontecerão sob estado de emergência, decretado após os atentados de 13 de novembro de 2015 e renovado diversas vezes desde então.

Candidatos

A disputa pela presidência envolve 11 candidatos , sendo que quatro aparecem com chances concretas de chegar ao segundo turno: o ex-ministro das Finanças Emmanuel Macron (Em Marcha!), de centro; a eurodeputada Marine Le Pen (Frente Nacional), de extrema direita; o ex-primeiro-ministro François Fillon (Os Republicanos), de direita; e o também eurodeputado Jean-Luc Mélenchon, de extrema esquerda.

A última pesquisa divulgada aponta Macron (24,5%) e Le Pen (23%) como favoritos, mas com pouca vantagem sobre Fillon e Mélenchon, cada um com 19%. A votação também pode sacramentar a derrocada do Partido Socialista, que paga o preço da impopularidade do presidente François Hollande - o primeiro na Quinta República a não tentar a reeleição - e vê seu candidato, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, com menos de 10% das intenções de voto.

No entanto, o fato de cerca de 30% da população ainda estar indecisa aumenta a incerteza em torno de uma disputa que tem se mostrado bastante acirrada até aqui. O ano começou com Fillon e Le Pen brigando ponto a ponto pela liderança nas pesquisas, mas as denúncias de que o candidato conservador teria colocado a esposa e os filhos em empregos fantasmas na Assembleia Nacional abriram espaço para Macron.

Dissidente socialista, o ex-ministro se apresenta como uma espécie de terceira via liberal e europeísta e conseguiu cativar o eleitorado com um discurso carismático, lembrando as ascensões de Tony Blair, no Reino Unido, e Matteo Renzi, na Itália.

Aos 39 anos, Macron pleiteia se tornar o mais jovem presidente da história do país e já foi chamado por seus adversários de "Justin Bieber" e "Beppe Grillo vestido de Giorgio Armani", em referência ao líder antissistema italiano.

Com um movimento criado há apenas um ano, o Em Marcha!, ele assumiu a liderança nas pesquisas, que indicavam um cada vez mais certo segundo turno com Le Pen, a candidata que promete convocar um plebiscito para a saída do país da União Europeia.

Nas últimas semanas, porém, Fillon foi capaz de estancar sua queda nas sondagens, que ainda constataram a inesperada ascensão de Mélenchon. Também eurocético, o eurodeputado do movimento França Insubmissa é contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e admirador de Hugo Chávez e Fidel Castro.

Seu crescimento tem sido comparado ao de Bernie Sanders, que quase tirou a candidatura de Hillary Clinton pelo Partido Democrata, e ele conta com o apoio declarado da legenda antissistema espanhola Podemos, cujo líder, Pablo Iglesias, discursou em seu favor no último dia de campanha.

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O novo presidente da França ainda terá de aguardar até 11 e 18 de junho, datas das eleições para a Assembleia Nacional, para saber se terá maioria no Parlamento. Devido à fragmentação política no país, existe a chance de, pela primeira vez em 15 anos, o chefe de Estado ter de nomear um primeiro-ministro de oposição.


* Com informações da Ansa

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