Países mais pobres são os que mais recebem refugiados, diz ONU

Estudo aponta que maioria das 3,2 milhões de pessoas forçadas a fugir de casa no ano passado encontrou refúgio em nações de baixa e média rendas
Foto: Sam Tarling/ Acnur/ ONU News
Segundo estudo de órgão da ONU, países pobre recem mais refugiados: crianças sírias em acampamento no Líbano

Um estudo feito pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) diz que o maior número de pessoas que fogem de conflitos e guerras acaba conseguindo abrigo não nas nações desenvolvidas, mas em países mais pobres. O documento, divulgado na terça-feira (28), mostra que a maioria das 3,2 milhões de pessoas forçadas a fugir de suas casas no ano passado encontrou refúgio em nações de baixa e média rendas. As informações são da ONU News.

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"Os países que mais recebem pessoas deslocadas são os mais pobres", frisou o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi. Segundo Grandi, atualmente o mundo "enfrenta não só uma crise de números, mas de cooperação e solidariedade".

O alto comissário explicou que mais da metade dos novos refugiados no mundo no primeiro semestre de 2016 vieram do conflito na Síria. A maioria ficou pela região do Oriente Médio mesmo, dividida entre Turquia, Jordânia, Líbano e Egito. Segundo o relatório do Acnur, outros refugiados fugiram de conflitos no Iraque, Burundi, Sudão do Sul, na República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Eritreia e Somália.

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O Líbano e a Jordânia são os países que abrigam a maior quantidade de refugiados, em comparação ao tamanho de suas populações, explicou a agência da ONU. Já em termos econômicos, os países que sofrem o maior peso dos imigrantes são o Chade e o Sudão do Sul.

Refugiados na Líbia

Uma nova pesquisa da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) aponta que mulheres e crianças que fazem a perigosa jornada em direção à Europa, fugindo da pobreza e dos conflitos armados de seus países, na África, são espancadas, estupradas e expostas à fome nos campos de refugiados na Líbia.

Crianças são abusadas sexualmente, coagidas a se prostituírem e trabalharem como escravas, além de permanecerem durante meses em espécies de "centros de detenção" superlotados e desumanos. Somente no ano passado, mais de 181 mil refugiados e imigrantes, incluindo mais de 25,8 mil crianças desacompanhadas, chegaram à Itália através da rota do contrabando central do Mediterrâneo, na Líbia . Milhares de pessoas morreram no caminho.

Esses centros de detenção não oficiais controlados por milícias do país servem como negócio lucrativo a traficantes, não sendo "nada mais do que campos de trabalho forçado... e prisões improvisadas", afirmou a Unicef. "Para os milhares de mulheres migrantes e crianças encarceradas, [os centros] são como viver no inferno, onde as pessoas são mantidas durante meses."

Ainda segundo a organização, três quartos das crianças imigrantes entrevistadas na Líbia pela Organização Internacional para Cooperação e Assistência Emergencial, parceira da Unicef, reportaram experiências de violência, estupro e agressão nas mãos dos adultos durante a jornada até a Itália. A pesquisa com 122 mulheres e crianças migrantes também descobriu que um número crescente de meninas adolescentes é obrigado a usar métodos contraceptivos para que sejam abusadas sem que engravidem.

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O estudo da Unicef – órgão da ONU com o objetivo promover a defesa dos direitos das crianças – chamado “Deadly Journey for Children” (Viagem mortal para crianças, em tradução livre) descobriu que a maioria das mulheres e crianças paga a viagem aos contrabandistas sob a regra de "pay as you go”, o que acaba deixando muitas dessas pessoas em dívida e vulneráveis ​​ao abuso, abdução e tráfico.

* Com informações da Agência Brasil

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